15.8.14

Que a loucura nos mantenha lúcidos

A vida pessoal de cada um só a si pertence. Claro que quando se é figura pública o limite entre o privado e o público é ambiguo e quase virtual.
Não gosto de falar muito de quem não conheço, de quem não conheço realmente, pessoalmente e definitivamente. Não sou pessoa de julgar decisões. Posso não concordar, se me derem esse direito, mas quem sou eu para julgar alguém. Desprezo quem me julga a mim. Não sou perfeita, longe disso, por isso erro mas não tenho de ser punida por quem também erra de certeza, afinal somos assim, humanos, feitos de erros e aprendizagens.
Robin Williams nunca foi homem de capa de revista. Não foi apreciada a sua beleza facial, corpo escultural e sim o seu trabalho, o seu sucesso profissional, a sua qualidade como actor, como optimo actor, comediante, inteligente, humilde. Não importava muito com quem casasse a menos que fosse uma boazona só para se dizer que ela andava com certeza atrás do seu dinheiro. Já ninguém acha que o amor é cego, ninguém acha que o amor pode surgir da essencia. Nos dias de hoje ninguém acha que amar é um sentimento puro e genuino.
Robin William foi mais um homem grande num mundo de pequenos. Dos que arranca gargalhadas por trás de um sorriso triste e um olhar atencioso.
Um homem que não aguentou o peso da vida que não era tão simples e generosa como a sua disposição em nos fazer rir. Um homem que conhecia o seu semelhante nas suas franquezas mas não aguentou as próprias.
Diz-se que os divórcios o deixaram na bancarrota... diga-se o que se disser... fica mais uma vitima do dinheiro num tempo onde só ele tem importãncia. Acima de tudo, acima de todos, acima de qualquer sentimento... O Dinheiro... essa doença que contagia quem lhe toca. Esse poder descontrolado que nos escraviza e toma conta das nossas vidas. É para ele que vivemos todos os dias, infelizmente. Resta-nos os momentos de loucura lúcida... que nunca nos abandone.

Perdeu-se um Homem. Guardo a sua memória sorridente.

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