14.8.14

querida C.



Já tenho saudades de ti e ainda estás aqui. Um dia vou ver-te voar, eu sei, faz parte da vida e se assim for será bom sinal. Mas antes vou ver-te libertares-te, espero que lentamente. Vou sentir falta deste nosso momento, só nosso. Perfeito. Simples. Inconsciente. Vou sentir falta da tua bochecha fofa esborrachada na almofada, mesmo aqui. Os teus pés descalços rosadinhos contra o colchão. És um pedacinho grande de gente pequena. A minha budinha de gargalhada doce.
Sai o teu pai para o trabalho e vens para cá tu. Preenches o seu espaço com doçura e determinação. Que bom que é sentir o teu cheiro leve, ouvir a tua respiração, resistir à tentação de te abraçar para não te acordar.
És minha! Este é o único momento em que és só minha, como o foste dentro de mim. O único momento em que também me tens só para ti.
Querida C., o meu coração transborda de amor, medo e nostalgia. Nada de mal pode te acontecer. E quando não estiveres mais aqui, ao alcance da minha mão?
Quero congelar este momento na minha alma. Já tenho saudades dele e ainda aqui estás. Um dia dir-te-ei que dormiste na nossa cama algumas noites, mais para minha eterna memória do que para tua. Que simplicidade é ver-te dormir. O teu sono tira o meu.
Estás mesmo aqui. Que saudades eu já tenho deste agora. 

4 comentários:

  1. Respostas
    1. Eles preenchem-nos o coração, a alma e a vida não é amiga? :)

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  2. Memorias tao boas, tambem as vou guardando noum cantinho especial da minha mente e coracao :)
    Bjinhosss
    https://matildeferreira.co.uk/

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    1. Guarda-os bem porque com o tempo eles às vezes ficam escondidos num canto muito longinquo da nossa memória... se muitas vezes não fossem as coisas que deixo escritas já tinha perdido no tempo um monte de detalhes especiais.

      Beijinhos

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