14.9.17

o poder do livro [imperfeições alheias]

Os livros lembram-me os unicórnios do universo mágico das estórias sobre princesas, sonhos, aventuras e finais felizes...ou nem sempre.
Desde pequena que convivi com livros e fui aprendendo através de milhares de palavras como crescer pode e deve ser uma sucessão de eventos libertadores, de sonhos concretizáveis, de amizades duradouras, de aventuras solidárias e até de alguns tropeções necessários à aprendizagem que é viver.
Um livro tem um poder inigualável que nenhum computador ou jogo de vídeo pode substituir como actualmente se tem vindo a tornar hábito entre os mais jovens. As gerações nascidas pós sec.XXI têm sido destituídas da magia que é folhear livros, e não falo de manuais escolares ou livros técnicos mas de livros que ensinam a ser-se humano, que obrigam a reflectir, a questionar, a indagar os porquês que a vida vai colocando.
Em miuda cresci ao sabor de aventuras intrépidas onde raparigas se tornavam donas do seu nariz, onde animais falavam e travavam amizade com seus amigos humanos, onde as amizades eram leais e as florestas ganhavam vida; cresci a aprender truques de magia e a aperfeiçoar a bondade no coração, aprendi também a ter cuidados quando os maus espreitam e a perceber que a perfeição não existe mas cada um de nós pode evoluir por caminhos coloridos onde todos merecem redenção.
Lembro-me de ter amigos imaginários, de juntar os meus peluches e dar-lhes aulas como se me entendessem e passar momentos feliz com tanto sonho a formar-se na mente. Porque hoje creio que a maioria das crianças não sabe ouvir a sua voz interior, não conhece a magia das folhas escritas há séculos por homens e mulheres que ousaram sonhar e construir mundos em palavras sem igual.
Estamos numa era onde a tecnologia vem matando as letras, onde o progresso tem atropelado o sonho e onde o homem se distancia das suas raizes ancestrais e tem medo de sonhar, de imaginar, de criar um mundo novamente seguro, cheio de cor e amizade, um universo mais amável e capaz de união entre povos. É mais facil não ler do que pensar fora da zona de conforto, é mais simples comprar um jogo ou um telemóvel do que responder a perguntas dos filhos leitores que de repente se veêm a questionar escolhas, caminhos, valores...
Por que acham que a política e a religião não gostam de livros e os queimaram durante séculos obscuros? Por que creem que as mulheres eram aconselhadas a bordar e não deveriam interessar-se pelas palavras? As sociedades sempre souberam o poder que alberga um livro, aqueles que o escrevem e os demais que o lêem e por isso sempre quiseram silenciar esse poder: o poder de sonhar e transformar o mundo.
E hoje, mais que nunca, precisamos voltar a sonhar e a escrever, a comprar e oferecer livros, a aumentar os desejos de construir um mundo melhor e darmos às crianças o papel fundamental.


3 comentários:

  1. Mais uma vez revi-me nas palavras da Nadya e encheram-me o coração :)
    Sabem onde me sinto bem? Numa biblioteca ou numa livraria :)
    Sinto-me a Belle da Bela e o Monstro :)
    Bjinhosss
    https://matildeferreira.co.uk/

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  2. Obrigada minhas queridas pelo incentivo.
    Ler cultiva, ensina, faz sonhar...

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