20.7.17

+ que mera sobrevivência [imperfeições alheias]

Não é fácil contornar as notícias diárias que a televisão teima em mostrar sempre pelo lado negro, ouvir mais uma catástrofe, mais um acidente, mais pessoas morrendo de fome, mais um teatro de guerra destruído e mais floresta ardida, gente sem casa e outros cenários de sangue e maldição.
Não é tarefa rápida nem segura conseguir abstrair nossa mente de tanta falha humana, de tanto choro do planeta terra que se insurge contra as agressões que se acumulam na biosfera; e não é seguramente difícil deixarmo-nos desiludir, perdermos o rumo, desistirmos de ser feliz em todas as ocasiões.

Mas o que necessitamos de entender a cada hora que passa, a cada cabelo que embranquece, a cada ruga que surge, a cada pedaço de pele que envelhece é que a vida não espera pela altura em que estejamos preparados para a verdadeira mudança; a vida empurra-nos para caminhos encruzilhados com o propósito de nos abanar, de nos fazer pensar no melhor passo a dar para a descoberta mágica da simplicidade das coisas. Não é viver que é difícil mas sim dedicar-lhe alma e coração, todos sabemos sobreviver aos dias respirando e alimentando o corpo mas poucos sabem transformar tal energia em pedaços de céu estrelado e vestir o corpo de bondade, de festa.
A vida é uma passagem, uma ponte que atravessamos em direcção ao desconhecido e que tem quilómetros contados embora não os possamos visualizar; esta incógnita que pendula sobre nossas cabeças deveria ser o mote bastante para não nos aterrorizarmos com o mal, para nos mantermos sãos e em uníssono com a natureza que nos criou, para não destruirmos a casa que decidiu albergar-nos sem pedir em troca mais que cuidado e compaixão.

O acto de viver com tempo contado teria de ser a arma utilizada na construção de sonhos, na fraternidade entre povos, na compreensão de ideais diferentes; seríamos eficazes como estandarte de uma inteligência posta apenas ao serviço do sorriso, da liberdade, se não deixássemos nosso cérebro ser domado pela sede de poder materialista. Ao longo de séculos os homens corroeram-se, destituíram-se da racionalidade que os deveria distinguir dos outros animais, aprisionaram-se, maldisseram seus antecessores, destruíram ideais e dizimaram-se em troca de territórios, de dinheiros e estatutos socioeconómicos.

Mas o que hoje vos quero mesmo contar vai para além do que deveria ser viver, disso já vos escrevi aqui , vai de encontro à estória da mulher que um dia acordou, se olhou no espelho e percebeu que metade da sua vida já estava contada nas marcas do corpo, nos primeiros cabelos brancos e nas primeiras rídulas ao redor do olhar; uma mulher de ar jovial e olhar triste mas de sorriso fácil e captado com ligeireza pelos olhares atentos dos seus, uma mulher desiludida com seu passado por se ter submetido demais às vontades alheias e não ter gostado mais de si como sempre lhe aconselhara sua mãe, sábia e lutadora. Até ao dia em que o espelho lhe indicou a única arma que precisava utilizar para reverter dias difíceis, noites solitárias, convívios ensossos, a arma de ser fiel a si, de acreditar em si, de sonhar-se a si.
Sabemos que não é fácil modificar padrões de vida, que não acordamos de repente uma outra pessoa e nem o mundo desperta completamente cor-de-rosa onde todos sorriem e onde não há vislumbre de maus exemplos, más pessoas. Mas posso-vos dizer com a certeza de estar aqui que tudo o que necessitamos para mudar é de acreditar. Acreditar no nosso íntimo, escutar a nossa intuição, despertar as armas secretas com que nascemos dotados e perseguir todo e qualquer sonho por mais disparatado que possa parecer é tarefa mais simples que se julga porque é algo inato ao ser-se humano.

A proliferação dos desvios que temos visto ocorrer nas sociedades, para que o mal semeie e se multiplique, não é inevitável nem marca da génese humana mas sim apenas produto daqueles que deixaram há muito de crer, de sonhar, de ser criança de coração, de amar e de se vestir de coragem. A coragem de nos enxergarmos, de nos ouvirmos, de nos transfigurarmos em nosso melhor poder é a arma que nos livra de dissabores, de mortes precoces, de dias cinzentos, de desamores fatais; a coragem de sermos magia de outrem, de vestirmos os corpos de sorrisos e abraços e a coragem final de aceitarmos que só com fé em nós primeiro poderemos encetar pela única estrada que a vida premeia: a estrada da magia de ser humano!  

 Posso-te dar um conselho? – então fecha os olhos, inspira e expira todo e qualquer dia cansado, ouve apenas o bater do teu coração, assimila todo e qualquer sonho por realizar, visualiza-te a sorrir, engrandece a imagem que tens de ti; abre os olhos e deixa o espelho devolver-te a magia que deixaste cair ao longo dos dias mais difíceis, concentra-te em ti, abre os braços e abraça-te porque apenas contigo terás de ajustar contas.
Sentes-te melhor? – é apenas o primeiro passo para que de hoje em diante sejas como a mulher de que falei, mais crente de que não é difícil viver se o fizeres com ajuda da única arma que necessitas: a crença em Ti!

por Nádya Prazeres

2 comentários:

  1. Concordo com tudo! Não sei o que se passa neste nosso planeta mas queria tanto que as coisas mudassem. Já deixei de ver tanto as notícias, são só desgraças!

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  2. Acreditar em nos proprios e meio caminho andado para vivermos melhor seros mais felizes :)
    Bjinhosss
    https://matildeferreira.co.uk/

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