4.11.16

a que cheira o vosso Natal?

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imagem . Design Serendipity Interiors

Eu sou daquelas pessoas que gosta do Natal, não daquela parte dos centros comerciais cheios nem de ainda faltar sempre uma prenda para alguém na semana do Natal, mesmo tendo passado dois meses a fazer compras para o dia. Gosto do tempo em família, das luzes, da casa com cheiro a canela, do pinheiro na sala, dos filmes de sempre a passarem na tv pela enésima vez e gosto de dar, gosto muito mais de dar do que de receber.

Detesto deixar tudo para a última e a coisa menos provável é verem-me em centros comerciais na véspera de Natal e até me é complicado compreender como é possível eles ficarem tão cheios num dia em que as pessoas deveriam estar em casa a fazer as rabanadas e o bacalhau.

O meu gosto pelo Natal remonta aos meus tempos de infância. Os dias que antecediam a data ficaram marcados na minha memória como se tivessem acontecido ontem. A mesa da cozinha cheia de comida em preparação, o arroz doce já a arrefecer, a calda para as rabanadas e sonhos ao lume, o peru no forno, a azafama da minha avó, a calma do meu avô e eu, a querer fazer parte de tudo, ia pondo a mesa com todo o gosto e cuidado para não partir a porcelana delicada usada apenas nestas ocasiões.
Fui uma criança com sorte. Nesta casa, onde me cabia passar as férias de Natal, vivia-se a data com encanto e não precisávamos de um grande pinheiro, nem enfeites modernos e presépios gigantes. O pinheiro era pequeno e sempre o mesmo ano após ano, eu já na altura tentava fazer milagres decorativos com as bolas coloridas muitas delas já amolgadas e com as fitas já meio depenadas. 

Nunca me canso de contar dos meus Natais nos meus avós maternos, talvez porque tenha medo de os esquecer se não o fizer. Todas as vezes que conto os meus olhos enchem-se de lágrimas e, embora não seja uma pessoa que fique presa ao que passou ou piegas no sentido de evocar aos 4 ventos, saudosamente, os que partiram e que guardo num lugar muito especial do meu coração, nesta altura do ano a minha avó é lembrada e em jeito de lhe mostrar que aqui também não faltam as rabanadas e o arroz doce... todos os anos eu encho a casa com cheiro a canela.

Ao contrário dos meus avós eu criei uma nova tradição cá em casa. Talvez tenha ficado com trauma das bolas velhas e coloridas e dos milagres que tinha de fazer com aquela pequena árvore já gasta do tempo. O certo é que a nossa árvore, que já nos acompanha desde que pisámos este país há 7 anos, é maior que eu e as decorações vão variando anualmente, acrescentando sempre alguma peça todos os anos.

Quando Outubro acaba e tiro as abóboras da porta a vontade que tenho é ir ao sótão deixar a caixa com as decorações do Halloween e trazer as do Natal e, no fim, é mesmo isso que acabo por fazer. Para grande espanto da vizinhança, em que o Dezembro já vai no adro e ainda não se vêm as árvores à janela, a minha conhece a luz em meados de Novembro e eu já estou mortinha para ver a casa a brilhar.

E tu? Já andas a pensar no Natal? Tens alguma tradição antiga que mantenhas ou uma que tenhas criado?

4 comentários:

  1. Adorei a imagem, que escolheste!
    Eu também sou um bocado assim... um mês antes do Natal, a casa, já tem de estar enfeitada... embora com menos do que antigamente... mas há sempre um apontamento a lembrar o Natal em todas as divisões da casa...
    Cheiros de Natal... a filhoses... fatias douradas, e a arroz doce... nunca faltam!
    Beijinhos! Boa semana!
    Ana

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  2. Antigamente dir-te-ia que o natal cheirava a filhoses. Às de abobora que a minha avó materna, mulher do norte, que as fazia à mão (nunca mais comi iguais), às filhoses fininhas cheias de açucar e canela da minha avó alentejana fazia lá para casa. As que a minha mãe aprendeu com a sogra a fazer. Cheirava ao pinheiro que a minha tia comprava e para onde mandavamos algodão a fingir que era neve.
    Depois deixei de gostar do natal. Passou a ser a época doce que passava com mágoa. A pequenada fazia a festa e fazia também esquecer as tristezas.
    Hoje o meu natal cheira ao meu filho. E o meu filho cheira a pão quente com manteiga. Por isso acho que o meu natal cheira a pão quente com manteiga.
    E só espero que para sempre cheire assim.
    Beijinhos.

    http://embuscadafelicidade.blogs.sapo.pt/

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    1. é uma pena que deixes perder os cheiros das tuas avós... trazem sempre lembranças tão boas...
      Mas o teu Natal também cheira muito bem :)

      Beijinhos

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