29.11.16

a importâcia do "me-time" [imperfeições alheias]


Desde que fui mãe que raramente ponho o pé fora de casa depois das 6 da tarde. As minhas sextas têm sabor a segundas-feiras, dormir até tarde ao fim de semana não existe. Passo os dias todos da semana a correr de um lado para o outro, sem tempo para parar um segundo e respirar fundo – quanto mais pensar na minha existência. São mais as vezes que ando em piloto automático - entre fraldas, banhos e cozinhar refeições – do que em modo normal. Por isso, se falarem comigo enquanto estou a meter as minhas miúdas na cama, a responder a um email urgente do trabalho e a escovar os dentes – tudo ao mesmo tempo - não fiquem chateados se receberem um grunhido em vez de uma resposta mais elaborada da minha pessoa. E têm sorte de eu ainda ter tentado responder!!

Muitas vezes me pergunto como é que a maior parte das mães que eu conheço conseguem sobreviver a este ‘faff-faff’ de actividades, tarefas e prazos, e ainda sentirem-se humanas? Porque eu chego ao fim do dia de rastos, com sono, e sem vontade para nada a não ser dormir.

Chamem-me o que quiserem, mas quantas vezes as minhas miúdas estão já a dormir, e eu, que entretanto consigo sempre abrir o Netflix, só para – adivinhem! - ao fim de 5 minutos perder a noção das coisas e largar o telemóvel ao meu lado (se não for na minha cabeça!!) já estou ferrada no sono de tal maneira que só dou por mim na manhã seguinte!

Nem vou falar na peripécia que é tentar tomar um duche de 5 minutos com as duas em casa...! Ou o faço com plateia, ou tenho de sair mil vezes (muitas vezes ensaboada) da banheira porque as duas se estão a pegar, ou pior ainda, porque as duas estão extremamente silenciosas (e mãe que é mãe sabe que silêncio não é nunca uma coisa boa!!).

Por tudo isso e muito mais, é importante arranjar um tempinho só nosso, para podermos fazer as coisas de que nós gostamos, sem interrupções nem stresses. Para mim, esse tempo é normalmente à noite, na vasta maioria noites de sexta e sábado, quando eu sei que não tenho grandes compromissos durante o dia seguinte e posso compensar uma noite mal dormida com um dia mais ‘light’ em casa. Desde que comecei a reservar esses momentos só para mim que me sinto muito mais disposta a encarar o dia seguinte com garra, força e determinação.

É um tempo que eu considero só meu, um tempo que eu só divido com as pessoas que eu quero, como quero – às vezes nem divido esse tempo com ninguém, vejo um filme, oiço música, leio um livro... penso no futuro, aproveito para descomprimir, relaxar, e fazer aquilo que realmente me apetece.

Desde que me separei, este me-time ganhou uma dimensão mais especial ainda, porque me faz sentir que recuperei o controlo da minha própria vida – algo que me fugiu um bocado da mão quando estava casada – e tudo no meu próprio espaço e com o seu próprio tempo. Gosto tanto destes momentos só meus, que não sinto necessidade de ter alguém para dividir a minha vida... aprendi a gostar de estar sozinha e a só procurar companhia nos meus termos.

Vivo para as minhas filhas, e vivo para mim. E para já isso basta-me. Para quê complicar? Para quê mudar o que funciona? Todas as mães deviam ter o seu me time, pelo menos 1-2 vezes por semana, para poder recarregar baterias, e alimentar o amor-próprio e a autoestima, que muitas vezes está submersa dentro de nós somente porque passamos o tempo atrás de tudo e todos... menos de nós mesmas.

por Leonor Silva de Mattos


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