25.10.16

navegando pelo NHS [imperfeições alheias]



O sistema de saúde em Inglaterra (também chamado de NHS – National Health Service) é fantástico, e neste último mês eu tive a prova disso mesmo. Quando a minha mais pequenina começou a ficar constipada, eu não liguei muito. No infantário andava toda a gente doente, na escola da mais velha também havia surtos de tudo e mais alguma coisa – algo normal para esta altura, com o começo do ano lectivo e do Outono. Andei umas semanas a empatar uma ida ao médico na esperança que as coisas se resolvessem naturalmente.

Aqui não vale a pena levar as crianças ao médico de família (também chamado de GP a General Practitioner) com este tipo de sintomas, eles normalmente mandam-nos para casa gerir a situação com paracetamol e ibuprofeno, e dizem-nos para voltar se a febre não baixar com esses medicamentos, ou se continuar ao fim de 5-10 dias com um agravamento geral do estado de saúde da criança.

Sendo um vírus não há nada a fazer. Antibioticos só funcionam quando há infecções bacterianas. E na maioria dos casos é mesmo uma virose. Mas no caso da minha mais nova, essa virose acabou por se agravar, e com a febre veio também a tosse com muco, e mais tarde, dificuldade em respirar. A primeira coisa que eu fiz foi ligar para o pai das meninas, avisar que ela não estava bem e que ele teria de vir ter connosco porque eu provavelmente teria de ir ao médico com a mais nova e ele precisava de ficar com a mais velha se isso acontecesse. Depois liguei para o 111. 

O 111 funciona como uma triagem inicial, e de acordo com a situação, encaminham para o hospital, para um GP de 24h, ou dão conselhos para ajudar a gerir a situação quando esta não requer nem um nem outro. O número de emergência é o 999, que só deve ser utilizado em situações mesmo muito graves, de vida ou morte.
 

No caso da M, não foi preciso muito para a rapariga do 111 chamar uma ambulância. Ela conseguia ouvir a minha mais nova a respirar de forma muito pesada do outro lado do telefone. Depois de responder a algumas perguntas, mandaram os serviços de emergência quase de imediato. Primeiro veio um médico num carro à parte, que depois confirmou ser realmente necessário transportar a mais nova para o hospital. Os níveis de oxigénio dela estavam muito baixos e eles estavam preocupados com o ritmo cardíaco dela que estava elevado. Ela tinha muita febre que tinha baixado muito pouco, apesar de se ter alternado o paracetamol e o ibuprofeno a cada 4 horas.

Com a mais velha a dormir, valeu-me a minha vizinha que ficou a olhar por ela enquanto o pai delas chegasse.

Na chegada ao hospital, fomos novamente levados a uma triagem, e daí deram-nos uma cama de observação. Entre os exames necessários, e os tratamentos de aerossóis que fizemos, incluindo um raio-x - não tenho nada a apontar. Fui sempre informada do que se estava a passar, trataram-me sempre com respeito, e mesmo nos momentos de grande aperto emocional, senti que estava devidamente apoiada.

Como a M não melhorou em observação, fomos transferidos para a enfermaria de crianças do hospital ás 7 da manhã. Nessa altura já eu tinha dormido uma horinha, mas estava esfomeada, extremamente desgastada, e nervosa porque entretanto o raio-x tinha de facto demonstrado que a M estava com uma infecção pulmonar, que apesar de ligeira ía requerer antibiótico e aerossóis. Ficámos admitidas na enfermaria o dia praticamente todo. A M teve o prazer de brincar na sala de brinquedos da enfermaria (que era enorme), e eu tive a sorte de poder tomar pequeno almoço e almoço com ela porque ainda estou a amamentar. 
 

Ao final do dia, depois de uma sesta valente com ela no meu peito, a febre começou a baixar, e os valores de oxigénio e batimentos cardíacos começaram a regularizar-se. Deram-nos alta pouco depois, com antibiótico, aerossol, e indicações de voltarmos lá imediatamente se a situação se voltasse a agravar. Não se agravou até há uma semaninha atrás em que fomos novamente de ambulância, quase com os mesmos sintomas, mas desta vez foi tudo causado por uma infecção urinária, que nesta altura já foi controlada – com outro tipo de antibiótico.

A mais velhinha também apanhou a infecção pulmonar da irmã, mas bastou uma consulta no GP, e uma dose de antibiótico. Nesta altura as coisas estão tranquilas, e espero que assim permaneçam. No entanto, muito devo a todos aqueles que cuidaram da minha mais novinha em casa e no hospital, e todos aqueles que estiveram do meu lado (física e virtualmente) nessas horas de aperto.

Para emergências de vida ou morte, deve-se sempre marcar o 999. 

por Leonor Silva de Matos

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