24.8.16

relax

De repente pensas que te falta tudo. Não sabes muito bem de onde vens nem para onde vais. Percebes que há coisas que têm de mudar, não sabes porém como, nem muitas vezes porquê.
Sentes que falta encontrares o teu espaço. É isso mesmo, o teu espaço.
Como é que ficaste reduzida ao tempo dos outros no teu próprio tempo? Não sabes. Não consegues perceber muito bem como foi nem mesmo em que momento.
Como é que se reencontra o nosso tempo? Como é que o conseguimos de volta para nós?

Mais do que o impores aos outros, tens de o impor a ti mesma. Tens de te mentalizar que precisas do teu momento. O teu silêncio. O teu segredo. Os 30 minutos, uma hora, um dia, em que ninguém saberá o que estás a fazer, ninguém te ouvirá, nem chamará, nem que seja para teres algo para contar depois, algo que ninguém saiba, só tu.

As noites de sábado são, por estranho que possa parecer, as horas mais saudáveis da minha semana. Mesmo estando absolutamente perdida de cansaço, e ás vezes queira apenas a minha cama, imponho-me ficar acordada, na maioria das vezes a trabalhar, mas mesmo a trabalhar elas são as "melhores" horas da minha semana. Não quero dizer com isto que não gosto do tempo que passo com as minhas filhas e o meu marido. Amo o tempo que passamos em família e que parece sempre tão pouco. Mas de tão necessitada que estou de recuperar a minha autonomia, a minha vontade de decidir sobre o que me apetece fazer com o meu tempo, sem ter de pensar que terei de cortar uma maçã à L. ou limpar o rabo da C., tendo a certeza que não vou precisar decidir se o brinquedo fica na mão de uma, ou de outra, ou de nenhuma. São horas de liberdade, liberdade condicional, acabo por ter de trabalhar em coisas que estão atrasadas devido às mil e uma interrupções da semana, mas são horas de silêncio, ou de ver o que quero na televisão ou ouvir a música que prefiro. São as horas que tenho para mim.
Estas chegam-me por conveniência, não as imponho, simplesmente estão ali, as miúdas já foram para a cama, o D. ainda está a trabalhar e eu fico só comigo mesma. Mas não chega, não chega porque se o D. estivesse em casa as horas não eram minhas, se elas estivessem acordadas o tempo não era meu.

Há, portanto, que exigir[-me] o meu tempo no meio do tempo deles, só assim terei a sensação de que ele é mesmo meu e não uma sobra dos outros.

(a continuar)

2 comentários:

  1. Adorei este texto! E como sinto que isto é mesmo verdade... O tempo que tenho reservado para mim, quase que me "dá" anos de vida... O silêncio, a paz, os pensamentos que vêm e vão, a tranquilidade, o encontro comigo mesma...
    Obrigada Cris, por estas palavras :)
    Um beijinho grande!

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    1. às vezes quase que somos engolidas pela vida. É tão difícil mantermo-nos à tona quanto mais ainda nadar em direcção à margem. Mas temos de o conseguir, temos de ser mais exigentes connosco, como individuos com as suas próprias necessidades.
      Que bom que conquistaste o teu tempo... isso é precioso ♥

      Beijinhos
      cris

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