10.9.15

ajustar a vela à direcção do vento



Mudo de ideias no mesmo compasso que a vida muda de rumo. 
Achamos que conseguimos sonhar alto e conquistar sonhos à velocidade da vida. Sabemos que encontrámos algo especial em nós e temos certeza que é esse o nosso propósito na vida. De facto seria, de facto seria tudo simples e maravilhoso e o tempo e a velocidade a que a vida nos atropela não teria qualquer importância se não precisássemos de trabalhar para ganhar dinheiro e se dependessemos apenas e unicamente de nós. Quando os pés tocam o chão e somos empurrados para uma cama porque adoecemos muito mais vezes do que há 10 anos atrás, paramos para pensar. Damo-nos conta de que é bom sonhar e ter um objectivo bem definido que nos dê motivação para lutar e conquistar uma meta de cada vez, mas quando o sonho está longe demais e nos espera uma enorme caminhada, abdicar de coisas que também são tão ou mais importantes para nós e saber que pelo caminho deixaremos um desgaste emocional e físico, um enorme investimento de tempo e dinheiro, sem conhecermos de facto o que nos espera no fim do percurso, damos conta que temos dois seres pequenos a chamar por nós e a dizer que a hora é mais deles que nossa a partir do momento em que decidimos ser pais... resignamo-nos ao plano B que até foi em tempos o plano A.

Refazemos a ideia do que queremos que seja o nosso futuro, o nosso dia a dia e a nossa realidade. Apercebemo-nos que poderá não ser assim tão má e que, dentro da nova realidade, podemos efectivamente adaptá-la mais a nós e ao estilo de vida que queremos ter. Voltamos a abrir portas que fechámos há anos atrás porque nessa altura assim fazia sentido. Assim como agora faz sentido voltar a abri-las e tentar, porque não? Voltar a tentar. Desta vez com uma visão muito mais realista, desta vez com uma mão cheia de novas ferramentas e com um muito melhor conhecimento do que me rodeia. Talvez um pouco mais longe da matéria dada e da experiência adquirida mas nunca será um começo do zero.
O início deste mês começou com a procura de trabalho na área de arquitectura. Com a procura do que precisarei para ingressar de novo na ARB (Architects Registration Board) e a descoberta de que o processo complicou-se desde 2010 mas nada que não se possa conseguir no prazo de 1 ano. E a fantástica descoberta de que, após o registo, as minhas qualificações e experiência profissional actuais poderão eventualmente corresponder ao topo de carreira de cá. 
Às vezes, quando não nos sentimos com aptidão e energia para tocar o céu, basta pensarmos que o que temos agora já nos faz tão felizes e realizados que só precisamos de manter os pés na terra e a cabeça no ar.
Velas ajustadas, está na hora de navegar...

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