9.5.14

O destino que não nos pertence


Ontem foi dia de conhecer o nosso "landlord". Ao fim de 3 anos a viver no mesmo sítio [ coisa não muito comum em Inglaterra ] em que apenas tivemos contacto com a agência que geria e gere (ainda) a casa, ontem foi dia!
Mas tudo começou com as nossas férias a Portugal comunicadas à agência imobiliária - meus senhores de tantos a tantos não estaremos cá - não o fizemos por termos de fazer mas como temos algumas coisas para serem arranjadas aqui em casa achámos por bem avisar. Pois estavamos nós no inicio das nossas férias e recebemos ambos telefonemas da agência. Como tinhamos avisado nem nos demos ao trabalho de atender. Dias depois recebemos uma mensagem do marido da proprietária da casa. A sua mulher tinha morrido inesperadamente e precisava de entrar na casa urgentemente para fazer nova avaliação a fim de resolver as papeladas. Obviamente que permitimos a sua entrada mesmo estando ausentes.
Ontem, já sabendo que estariamos por cá, ligou com o intuito de vir tirar as medidas da porta das traseiras.
Como costumo dizer, para morrer basta estar vivo. E este Sr., com mais ou menos a minha idade, ficou viúvo sem aviso prévio com duas filhas a seu cargo de 12 e 14 anos. Desabafava connosco que era dificil criar raparigas e que só há pouco tempo aprendeu a mexer na máquina de lavar roupa. De um momento para o outro este homem viu-se no papel de pai e mãe e com urgência teve de alterar toda a sua vida. Deixou de trabalhar no banco onde até então passava maior parte do dia. Envolveu-se nas lides domésticas e dizia que só o abraço de mãe não conseguiu nem conseguirá substituir. 
Os meus dias dificeis pareceram de repente uma piada. E pensar naquela mulher que não conhecerá o primeiro namorado da mais nova, não irá à formatura da mais velha, não terá as briguinhas mãe e filha na idade do armário... tudo isto lhe foi arrancado sem aviso prévio. Assim mudam as vidas, não por vontade própria, sim por vontade de um destido traiçoeiro e vil.

Este homem encontrava porém motivação e falava com vontade e sinceridade. Está agora a restaurar outra casa 3 ruas acima da nossa. Falou com entusiasmo das alterações que está a fazer e que me agradaram (deve tê-lo visto na minha expressão) pois de imediato disse que estaria pronta daqui a uns 3 meses e se quisessemos seriamos os primeiros a vê-la. Claro que sim! Open-space em baixo e 3 quartos separados em cima é tudo o que digo que esta poderia ser.
Depois deixou-me pintar tudo de branco e cortar a árvore do jardim (que está a cair). Não podia querer um "landlord" melhor. Vamos dizer adeus à agência e manter as coisas entre nós... assim ele ganha mais e a nossa renda não é aumentada. Parece-me bem!

[ Cada vez mais mortinha por meter as mãos na trincha! ]

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