8.5.14

Laura

imagem: Cris Loureiro
Calhou-me na rifa uma criança cheia de energia, cheia de disposição, decidida, independente, aventureira, teimosa até dizer chega, provocadora até não poder mais e muito muito muito meiga. Que se faz com uma criança assim? Que num segundo faz birra e no segundo seguinte nos abraça e dá um beijo gostoso.
Quando não tinha filhos e via os filhos dos outros espernearem no chão do supermercado chamando mais a atenção do que o leve duas pague uma caixa de detergente, os pais de olhos postos no chão faiscando de vergonha e raiva pelo seu diabinho se expôr a uma cena de drama de novela mexicana sem saberem o que fazer e como fazer, eu dizia para mim mesma que se um dia os meus filhos se comportarem assim em público só o fazem uma vez.
E pronto, pega lá uma Laura birrenta! E vou evitando fazer compras com ela porque nem eu compro nada de jeito nem o supermercado precisa de conhecer o meu falhanço. Pensando bem talvez não seja um falhanço meu. Talvez a Laura simplesmente não goste de ir às compras (também não morro de amores) e se sinta aborrecida (até eu chego ao fim fartinha) e se formos a ver o avô dela também faz birra para ir e não é criança.
Hoje é dia de compras que têm sido adiadas desde que chegámos. Há que preparar os nervos de aço.

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