25.1.14

Palavras tristes...


Sempre fui sensível a histórias infelizes que envolvam crianças. Crianças desaparecidas, crianças que combatem doenças terriveis e vivem em hospitais, crianças que não sobrevivem ao parto ou aos primeiros dias de vida, crianças de 20 anos que, por algum motivo partem desta vida... porque para nós, pais, serão sempre as nossas crianças. 

Sempre fui solidária, de coração apertado, a mulheres que saiem de um hospital, depois de 9 meses de gravidez, de mãos a abanar. Não consigo imaginar tal dor, como não consigo imaginar o desespero de uma mãe que lhe vê arrancado dos braços o seu rebento.
Desde que sou mãe o meu respeito por essas mães é ainda maior, se é que é possível. Agora que sou mãe é impossivel não pensar... se fosse comigo... É impossivel imaginar uma reacção, o tamanho da dor, o sofrimento permanente no coração, para o resto da vida... é, tão pouco, impossível  ter uma leve noção da dimensão da perda. Penso nas minhas amigas que tiveram o infortunio de não verem crescer os seus pequenos rebentos e não entendo como pode haver tamanha injustiça neste mundo. Na dor das que passam anos sem saber o que será feito das suas crianças. Sinto um respeito gigantesco por todas as que  se mantêm de pé e se levantam todos os dias.

Ontem vi um filme que uma mãe minha amiga partilhou. O vídeo mostrava a facilidade dorida como num minuto estamos felizes com as nossas crianças nos braços e no minuto seguinte nos são arrancadas dos braços à vista de toda a gente sem que ninguém faça nada, sem que ninguém ajude o desespero de uma mãe que vê parte da sua vida lhe ser arrancada. Choca-me a nossa impotência. Choca-me a segurança insegura. A velocidade em que se pode ir do melhor ao pior momento das nossas vidas.

Desde que sou mãe carrego comigo medos e inseguranças que jamais pensei pesarem tanto. Vivo sem querer imaginar o pior. Vivo na esperança de ser uma das felizardas que não passarão por uma dor assim. Preencho os pensamentos com aquilo que ainda vou poder acompanhar no crescimento das minhas crianças. Arranco-me sorrisos forçados a imaginá-las a sair com os primeiros namorados. Animo-me com a independência que vão adquirindo de nós, pais... mas adormecidos permanecem os medos e as inseguranças que jamais me abandonarão até ao dia em que o meu coração deixará de bater.

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