25.4.13

e de repente fez-se liberdade [imperfeições alheias]

Lembro- como se fosse hoje. Foi precisamente há 39 anos. Até o dia da semana foi o mesmo! Quinta-Feira. Quando soubemos que a revolução estava na rua, saímos também.
Era Primavera, e a partir desse dia a vida dos portugueses modificou-se completamente.
Passámos todos a ter direitos que eram até então privilégio de alguns, como direito a um mês férias pagas, subsídios de Natal e de férias, salário mínimo e até salário máximo, as mulheres passaram a ter os mesmos direitos que os homens e a poderem intervir na vida do país.
As prisões de Caxias e Peniche abriram as portas e muitos anti fascistas saíram em liberdade aplaudidos pelo povo que os esperava.
Passámos a trabalhar arduamente, e, este povo fabricou ferro e aço porque havia uma Siderurgia, fez comboios porque havia uma Sorefame, pescou porque tinha barcos, cultivou a terra porque ela era e é fértil e trabalhou muito na metalomecânica, nos têxteis, etc.

Dir-me-ão: Mas antes do 25 de Abril de 1974 não se trabalhava? As fábricas não existiam já?
Sim. As fábricas já existiam e os campos sempre foram férteis, mas pertenciam a meia dúzia de famílias que exploravam os trabalhadores com salários miseráveis que mal davam para sustentarem os seus, enquanto os patrões viviam principescamente.
Muitos desses patrões foram para o estrangeiro e deixaram as fábricas e os campos. Não sei porquê! Aliás para onde quer que foram continuaram a viver bem.
Passámos a viver a verdadeira democracia, discutíamos o nosso destino nas fábricas, nos campos, nas escolas nos bairros, etc.
Nas férias os nossos jovens (em vez de andarem a preguiçar pelos campos) acompanhavam a tropa até aos pontos mais recônditos deste nosso Portugal e contactavam com as populações mais idosas em verdadeiras campanhas de alfabetização e informação sobre a realidade que estava a acontecer no país e que eles desconheciam pois os meios de comunicação não chegavam a todo o lado como nos nossos dias.
E tudo isto foi possível porque um punhado de capitães, entre eles, esse herói de seu nome Fernando José Salgueiro Maia saíram dos quarteis a caminho da capital, para dar ao povo português o legítimo direito de decidir. 
Depois elegemos uma Assembleia Constituinte que se encarregou de elaborar uma das Constituições mais avançadas da Europa.
Mas, depois, o povo passou a decidir mal e os seus direitos têm vindo a ser atropelados de eleição em eleição, de governo em governo, e, em pleno século XXI estamos a viver quase como vivíamos em 24 de Abril de 1974, pelo menos no que respeita aos direitos e à menor consideração por quem trabalha!

por Luísa Loureiro

1 comentário:

  1. Este texto conta tanto, diz tanto sobre os portugueses!
    Descreve muito bem a realidade do nosso pais...
    Bjinhosss as duas
    https://matildeferreira.co.uk/

    ResponderEliminar