30.1.13

A boca cheia de dentes

A minha maluqueta já tem a boca cheia de dentes. Tem longas conversas que só ela entende cheia de expressão e gestos de indignação. A minha fonte de inspiração para tudo o que faço na vida já tem 15 meses e eu já sinto alguma nostalgia dos seus 5 meses, a boca vazia mas um sorriso delicioso.


A Laura sorri, ri, dobra o riso e contagia-me com a sua alegria de viver, com a sua fantasia no brincar, com a sua teimosia já tão vincada e o seu intenso gosto pela música. A minha pequena estrela, que não vê desenhos animados ou programas infantis mas que pára o que está a fazer para ir ver um video de uma música que gosta quando ainda só ouviu os primeiros acordes. 

Esta vida de trabalhar em casa não é, de todo, justa. Por vezes sinto que não estou a dar o meu melhor no acompanhamento da Laura. Que ao ver-me aqui sempre presente seria de esperar que pudesse dedicar-lhe toda a atenção todos os minutos do dia e em vez disso lá vai ela brincando sózinha, fazendo asneiras para chamar a atenção, dançando e cantarolando as suas músicas preferidas. Numa ou outra corrida passa por mim e dá-me de beber do seu pequenino jarro que enche com um liquido imaginário que retira da sua panelinha azul. 
Benditas as 8 horas semanais que passa na creche, onde entra com um enorme sorriso, acena-me com a sua pequena mãozinha e diz bye bye enquanto me vê fechar a porta. Sinto-me aliviada por saber que ela é feliz ali. Sinto-me em paz com o meu coração que também precisa de tempo para me mimar a mim mesma, para dar conta da sopa dela que precisa ser feita, adiantar o almoço, meter uma roupa na máquina, arrumar, limpar, trabalhar... Oito horas aproveitadas ao minuto, 8 horas que parecem 16. E o tempo que passou a correr para mim e por certo para a Laura também, traz-nos a ansiedade de nos vermos de novo e de, à sua maneira atrapalhada, me mostrar as coisas novas que sabe fazer. 

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