9.10.17

monday mood

Neste livro branco, metade escrito, metade por escrever, sem linhas, sem quadrados, sem pontos, sem desenhos; nele mora o pânico da folha branca, o não saber por onde começar, o que é certo escrever, nele mora a dúvida das palavras, qual a palavra certa, evitar o (mesmo) erro, não há borracha, nem corretor, as folhas não se rasgam, não se deitam fora ou se esquecem, ficam apenas mais ou menos gastas e amarrotadas com o passar do tempo.
Neste livro da vida, escrevemos num tempo, reescrevemos noutro, sem editar, sem o livro das soluções, é urgente ser original, não copiar pelo vizinho do lado, não usar cábulas, nem ler apontamentos, não há como conhecer a matéria toda, temos 50% de hipóteses de errar e outras tantas de acertar, uma tentativa vã de saber o problema que se segue na esperança de o resolver antes de chegar o nosso dia. Tentamos não reler as folhas riscadas por outro lado lemos vezes sem conta aquelas onde fomos bem sucedidos. E neste escrever, mais ou menos torto, da vida, encontramo-nos tantas vezes diante de uma página em branco, caneta pousada na mesa, olhos postos no vazio das folhas esperando que a escrita apareça certa, eximiamente pontuada, gramaticalmente correta e ortograficamente irrepreensível, mas a verdade é só uma, quando a vida nos dá a volta só nós conseguimos dar a volta à vida.

2 comentários:

  1. A vida somos nós que a escrevemos.
    Por vezes não é fácil: escrevemos, riscamos,rabiscamos, pomos pontos finais, começamos novos capítulos, acresecentamos experiências, introduzimos novas personagens, surgem novos mundos. E às vezes deparamo-nos com o temível branco da folha vazia. Temos de escrever mas não sabemos o quê. Mas naturalmente vamos começando a escrever uma palavra, uma linha, um parágarafo, e tudo recomeça.
    É assim a vida.
    Texto muito bom, parabéns! :D

    https://theincompletediary.blogspot.pt/

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  2. Texto lindo, a vida e mesmo isto 😍 go, girl 💪
    Bjinhosss
    https://matildeferreira.co.uk/

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