15.12.16

Essa doçura que trazes em ti [imperfeições alheias]

 

Antes de ajudarmos é preciso não atrapalharmos, antes de fazermos o bem é necessário não fazer mal e só não o fazemos aos demais quando conseguimos alegrar-nos com a sua felicidade, ou seja, quando somos doces.
A doçura não é um exclusivo da culinária, não se trata apenas de adoçante ou mel produzido pelas abelhinhas, não; a doçura é uma característica intrínseca aos seres de boa alma, de coração cheio e colorido, é uma honesta forma de comunicação entre os que se respeitam e se harmonizam sem preconceitos ou ideias pré-formatadas.

De cada vez que somos capazes de acções praticadas sem qualquer espera de retorno estamos a contribuir para a nossa felicidade, para a alegria de outrem e para uma eficaz redução de stress, de tristeza, de expectativas em demasia. Um dos maiores flagelos de ser-se humano é ter expectativas elevadas, pensarmos nos outros como se fossem iguais a nós, é descartar a verdadeira imagem que os espelhos nos mostram sem máscaras nem subterfúgios e só quem é doce sabe o que o espelho retribui, sabe que a vida se pauta por atitudes magnânimas, actos singelos, palavras de adorno e pacificação.

A doçura dos seres humanos recorda-me as chuchas de quando somos bebés e gosto particularmente da sonoridade inglesa das mesmas, são “pacifiers” (pacificadores) como uma fonte de paz que se ‘abate’ sobre o bebé, acalmando-lhe o organismo que se envolve na serenidade necessária para sonhar.
E as pessoas doces têm esse efeito com suas atitudes de bem, de calor, de protecção perante os demais, sobre os que amam e estimam, sabem que uma única palavra suave pode transformar uma lágrima num sorriso e um abraço pode significar alimento para almas doridas. Mas como tudo nesta vida por vezes há o revés da medalha e muitas das pessoas doces acabam por ter seus infortúnios pessoais quando se veem “apunhaladas” pelos outros, pelos que não se compadecem com alegria e paz, pelos que se frustram e creem que as culpas são sempre alheias às suas atitudes e escolhas, pelos que outrora fizeram bom uso desse mel e se curaram com conselhos e magias de quem neles acreditou e apostou.

É preciso salvaguardar a doçura e premiar os que a têm guardada no seio da sua essência bondosa, feliz. É de extrema importância revelar ao mundo o que a doçura faz pelo nosso bem estar, pela nossa força lutadora, o quanto poderemos todos ser mais humanos e duradouros se usarmos o nosso mel em prol de uma existência coberta de felicidade, sorrisos rasgados, amizades inteiras, amores sinceros, empregos recompensadores…e assim vivermos mais e melhores dias, meses, anos, décadas na companhia da magia, essa faísca que não é exclusiva do natal ou dos sonhos.

por Nádia Prazeres

1 comentário:

  1. Um texto lindíssimo! Um verdadeiro bálsamo para a alma... mais um...
    Beijinhos
    Ana

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