10.12.15

"Terrible twos"


A Clara atravessa agora o auge dos "terriveis 2", já me tinha [quase] esquecido o quanto esta fase me enerva... Os terriveis 2 da Clara começaram ainda não tinha ela ano e meio e tem vindo a aguçar-se de dia para dia. É uma fase estranha mas, por experiência própria, sei que será apenas uma fase. Querida Clara... tens até aos 3 anos para te passar a parvalheira... depois disso, deixo de considerar este comportamento intolerável como uma fase e passo a considerar-te a minha inimiga número um!

Felizmente decidi ter duas filhas uma atrás da outra, decisão sábia, tudo está muito vivo na minha memória, muito aprendi da primeira para a segunda e ainda não esqueci. A coisa que mais me lembro era da indignação e olhares das pessoas de fora... como se a criança estivesse possuida pelo demónio, um comportamento que já não tem cura, como se já não se conseguisse fazer mais nada dela. Não obedece, é provocadora, grita e esperneia, faz birra e chantagem emocional... Vivia aterrorizada com a ideia de ter falhado como mãe e a minha L. ter virado uma filha birrenta, uma delinquente em formato criança, dois anos e já perdida para todo o sempre, frustração!
A sociedade, pragmática com a parentalidade, assim como com tudo o resto. Há bons e maus pais mas o que faz um pai/mãe ser bom ou mau hoje em dia? Compete-nos a nós julgar? Existe uma ciência exacta de como educar um filho para que possamos julgar os pais com rigor e justiça? A culpa de uma criança ou adolescente ser de uma ou outra maneira não pode depender apenas dos pais, na sua evolução como ser humano ele cruza-se com inumeras pessoas, ele passa por inumeras situações e vê-se envolvido em variadas diferenças culturais e sociais. As poucas horas que uma criança passa com os pais não fazem dele o que ele é, unica e exclusivamente. Então porque será que a culpa é dos pais? Porque tem de haver culpa?

A Clara está agora na tão temida fase dos dois e de tudo o que aprendi com a L. - que hoje, com 4 anos, é uma criança muito mais calma e imensamente sensível às dores e problemas do próximo, sempre pronta a ajudar e a dar carinho, sempre disponível para dialogar e tentar entender o porquê de um "não" ou de um "sim" - é fundamental que os educadores da criança (sejam eles o pai, a mãe,  ambos, os avós, etc) hajam em sintonia. Tem de haver tempo para explicar, paciência para chamar a atenção sempre que faz mal, benevolência quando a criança entende o seu erro, estimulo quando faz bem e muito amor e carinho em todos os intervalos disto tudo. E no fim... acreditar com todas as forças que é apenas uma fase, uma fase que decidirá e definirá as fronteiras da parentalidade.

Fotografia | Photography: Little Bellows e Cris Loureiro

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