7.10.15

O que vem a caminho


De hoje a uma semana entramos de férias. Ao fim de mais de um ano damo-nos finalmente a esse luxo. Será provávelmente o último ano em que podemos tirar férias fora do tempo de aulas. 
A L. começa a escola já para o ano. Aqui começam a primária um ano antes que em Portugal. Eu entrei para a escola com 5 anos, a maioria dos meus colegas já tinham 6 e eu, passados alguns dias também os fiz. A L. vai entrar com 4 anos. Em Setembro do próximo ano lá irá ela, orgulhosamente vestindo a sua farda, conhecer uma nova realidade. Irão ainda passar dois meses até que faça os 5 anos, igualando-se, provavelmente, à maioria dos seus colegas. Se estará preparada? Tenho certeza que sim. A L. é uma menina determinada e independente, vai encarar a mudança de forma natural e com alguma curiosidade mas sem medos. Já eu... não sei se estou preparada para a ver crescer tão depressa. Será que alguma vez o estamos?
Estas vão ser portanto umas férias merecidas e em tudo especiais. Quero muito aproveitar cada minuto da minha família. Cada centimetro delas e cada sorriso do D. Quero muito absorver as suas palavras, gargalhadas, descobrir com elas coisas novas e re-descobrir as que já conheço mas por outra perspectiva. Provávelmente será também o unico aniversário, de uma e de outra, que  alguns familiares irão testemunhar nos próximos anos. 
Desta vez não estou à espera de sol, luz e calor mas sem dúvida do mar. Não anseio da mesma maneira pelo pão quente e fresco, a bola de berlim e a francesinha, mas sem dúvida pelos momentos da familia em volta da mesa. Há tanta coisa que já não me diz o mesmo e da qual já não sinto falta que me assusta pensar que um dia poderei nem mesmo sentir falta daquele mar.
Quase um ano e meio sem férias... estamos demasiado cansados, a precisar de parar e respirar, renovar as energias e abrir as portas para as mudanças que no regresso iremos lutar para que aconteçam. Precisamos de clarificar objectivos, planear e fazê-los acontecer. 
As férias ainda não começaram e eu já tenho uma lista de afazeres para o regresso... a vida não pára, mas por duas semanas e meia eu queria que congelasse, que me permitisse aproveitar realmente e de forma plena, sem pensar no mundo lá fora, sem o deixar se quer espreitar, sem uma ponta de preocupação ou vislumbre de ansiedade... apenas me permitir flutuar ao ritmo lento da maré.

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