2.9.15

Adeus Agosto


E o Agosto acabou! Sobrevivi aos dias intensos da maternidade dupla e das infindáveis tarefas que sempre me imponho frenéticamente. Sobrevivi e só por isso já me sinto vitoriosa e agradecida. 
Agosto... Ai Agosto... Deixas um rasto amargo e doce no teu balanço dos dias entre o calor intenso e os dias de trovoada. Deixas o peso de receber a realidade como certa e o entendimento inevitável de um dia chegarmos à cama e percebermos que a vida tem de ser mais do que os sonhos que temos e que, se de nós dependem seres inocentes e carentes, teremos inevitávelmente de abraçar as possibilidades todas e abdicar das mais desgastantes, porque a força já não é a mesma e a energia que vamos gastando na construção de um novo sonho poderia ser melhor aproveitada na re-construção de um antigo. 
Descubro que sou um ser em constante mudança e ajustamento. Tento ainda me adaptar à maternidade de uma criança e um bebé quando já deveria estar adaptada à realidade de duas crianças e nenhum bebé. Percebo, talvez tardiamente, que nunca estamos no compasso certo da maternidade correcta e que nesse atraso reside a dificuldade nas escolhas que temos de fazer de acordo com os tempos e as necessidades de cada cria.
Mordo tantas vezes o isco do positivismo, às vezes incalculadamente surreal, que me caracteriza e tento abraçar o mundo, o meu e o dos outros, e dou por mim na exaustão dos dias a lutar com o que não consegui fazer e com o tempo que roubei a quem mais amo no mundo. 
Agosto... O mês do acordar...

Abraço então Setembro desejando sedentamente o regresso à rotina dos dias "chatos" e mais pequenos. O Setembro do aconchego. O mês do fim das lamúrias delicadas da L. quando respondo "hoje não" à sua pergunta "vamos para a escola?" - Sim meu amor! Vamos para a escola! (passarei a dizer).
Começamos Setembro em festa, a festa que fomos preparando carinhosamente nos últimos dias de Agosto. Cansados mas determinados em fazer deste, um mês suave e cheio de novos planos e novas esperanças. Deixei para trás os "nãos" que tive de dizer e as decisões que, com alguma tristeza, tive de tomar. Não tranquei portas mas fechei-as, começo a abrir novas janelas e a desejar que estas me levem a entradas que nos permitam uma vida confortávelmente familiar e estável.
Bem-vindo Setembro... Que as energias se renovem e que a sabedoria do melhor uso do tempo se manifeste por aqui.

Photography by | Fotografia por: Cuba Gallery

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