6.5.14

Considerações...

imagem. Cris Loureiro
Três anos mereciam pelo menos 3 semanas, uma para cada ano. Foram duas, apenas duas. E nelas tivemos de encaixar as burocracias, os amigos saudosos, a família ansiosa, as comidas, os passeios, as compras e a vida.

Dos planos que tinhamos muitos fizemos mas muito ficou por fazer. A falta de wi-fi livre em Portugal é uma coisa que me espanta e quando há não funciona direito o que ainda me espanta mais. Sem internet as actualizações aqui no blogue, que tanto queria ir fazendo, tornaram-se impossiveis mas por outro lado aproveitei mais este tempo para a família, os amigos e as coisas de que tinha tantas saudades.
Não foi dificil a adptação à falta de tecnologias foi sim uma surpresa não as ter mais do que o sentir-me perdida sem. Não me chateou nem um pouco mas senti alguma pena de não poder ir partilhando aqui algumas paisagens e iguarias que me enchiam os olhos e o paladar.
Do que ficou por fazer... o meu Cartão de Cidadão. Marcação feita na conservatória da Maia alguns dias antes das férias. Qual não foi o meu espanto quando chego ao local no dia e hora marcada e dizem-me que já não têm a máquina e que ligaram para toda a gente a desmarcar, só não ligaram para mim porque o meu número não era nacional. Isto claro que não foi assim tão básico, teve muita rudeza, mania de que eu é que sei, posso e mando e antipatia pelo meio, mesmo à serviço público Português. Assim fica reflectido o (não)funcionamento de um país, a sua simpatia e acolhimento [ para me pedirem libras não há falta de "desculpe" e "por favor" ].
Não houve tempo para a francesinha e o livro regressou na mesma página. Preciso de saber como fazem as (super)mães que conseguem ter uns minutinhos para dedicarem à leitura que tanta falta me faz.
Voltei com o azul do mar nos olhos fazendo por esquecer as casas vazias e abandonadas, os estabelecimentos comerciais fechados ou às moscas, as pessoas a "assaltar" os contentores de roupa doada, os cães abandonados vagueando pelas ruas e latindo dolorosamente durante a noite e o preço exorbitante da roupa e comida para bebés e crianças como controle de natalidade. Soube bem comer fora por menos de metade do preço que como cá mas será que é isso o mais importante? Comer fora é, para mim, fruto de uma ocasião esporádica. Alimentar e vestir as minhas filhas é uma necessidade primária. E claro que já nem falo do calçado, malas, roupa e acessórios para adultos.
É um país de valores trocados. Valores e pudores. Porque olharem-me de alto a baixo e tecerem comentários não lhes traz riqueza mas é isso que infelizmente lhes move a vida. É isso que as/os faz esquecer a merda (desculpem a expressão) em que vivem e as dividas para pagar. Se isso é que faz a felicidade do povo para o ano vou caprichar um pouco mais.
Entretanto vou me misturando com quem ainda não perdeu a dignidade, humildade e inteligência. São esses que são verdadeiramente felizes, mesmo com o bolso menos cheio.
Daqui, deste país que dizem triste, escrevo eu, orgulhosa do meu pequeno país cheio de belas paisagens. Aqui vejo um país que é triste na sua cor tantas vezes cinzenta. Aí vi um povo triste vestido de cores.

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