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26.10.17

catcalling [imperfeições alheias]

Catcalling happens to most women between the ages of 11 and 17.
The largest study of its kind has shown that 84 per cent of women, across 22 countries, are experiencing street harassment before the age of 17 - and that figure is even higher in Britain, about 90 per cent of women under aged.” (in The Telegraph, May 2015)

Ser mulher não é fácil num mundo onde ainda hoje, em pleno século XXI, a maioria das sociedades são patriarcais, machistas, regadas por ideias ancestrais e religiosas de que a mulher é inferior ao seu par masculino e lhe deve obediência, respeito e vassalagem. Ser mulher não é simples em nenhum país, mesmo no continente europeu dito mais civilizado, não é tarefa fácil viver rodeada de estereótipos sociais e económicos que julgam o sexo feminino frágil, emotivo, bipolar, dado a histerismos e ainda por cima pouco fiável em cargos de chefia ( a tal “coisa” da maternidade que as ausenta do laboral intento).
E ser mulher jovem é ainda mais complexo quando os ditos protectores são os agressores, os que diminuem a importância extrema de uma adolescência confortável, segura, genuína e sem influências nefastas de uma sociedade cada dia mais egoísta, violenta e xenófoba.

Hoje falo-vos de um fenómeno crescente nas sociedades, nas grandes metrópoles europeias e americanas, onde o assédio sexual verbal é constante e causa em muitas mulheres não só desconforto como inclusive problemas psicológicos e de autoestima. Relembrem-se de todas as vezes que passeavam na rua, seguiam de metro ou autocarro, estavam num café sozinhas ou num banco de jardim e um qualquer idiota vos interrompia o pensamento com palavras impróprias, “elogios” sexuais ao vosso corpo, rosto ou maneira de andar, lembrem-se de alguns serem ainda mais abusados e apalparem-vos ou seguirem-vos alguns metros a sussurrar propostas indecentes ou pedirem-vos um contacto, e tudo com o ar mais natural de quem acha que apenas está a elogiar uma cara bonita…(é o que muitos pensam!)
O fenómeno internacional conhecido pela expressão catcalling não é recente mas nos últimos dois anos tem sido mais discutido no seio das políticas internas dos países mais afectados por este tipo de assédio sexual às mulheres, as organizações dos direitos humanos e ONG de apoio e proteção à Mulher têm denunciado inúmeros casos e o que este tipo de atitudes pode causar no desenvolver saudável da feminilidade. É urgente que os governos alterem leis e que se comece a relacionar este tipo de assédio com o que é já punido por lei no seio do mundo laboral.
Andar na rua, usar transportes públicos, disfrutar de parques para caminhar, conviver numa esplanada, visitar museus, sorrir em público, caminhar alegre ou de rosto velado não pode nem deve ser motivo para ouvir impropérios de homens que se julgam no direito de tentar a sorte de ter sexo com uma rapariga/mulher, porque o acto de catcalling não é mais que a tentativa velada de ter um encontro sexual imediato.

Here's something that shouldn't be a secret: guys catcall because they think it will somehow lead to them having sex. I've never once seen it be successful, but guys keep doing it, and that's the reason. But that's what's really going on, and the guys doing it don't care if it's disrespectful.
Of course it's disrespectful! Many girls complain about it yet it keeps happening. If it was meant respectfully, then as soon as women started talking about how it made them uncomfortable, it would've stopped.” (by Michael Hollan, Blogger, in Your Tango Jan.2017)

Mas para além dos homens continuarem a achar normais os ditos “piropos”, de os fazerem descaradamente e sem respeito e insidirem os mesmos em raparigas jovens, muito mais que em mulheres a partir dos 30 anos, o problema ultrapassa a questão dos géneros e reflecte-se em sociedades inteiras que não protegem o sexo feminino, que não ensinam nas escolas o respeito mútuo, que continuam a premiar os homens com cargos de superioridade hierárquica, que instigam ao banalizar de situações desconfortáveis e recorrentes sobre as mulheres. E é ainda mais incompreensível quando lemos nas redes sociais, nas colunas de opinião, em blogs, as opiniões de mulheres a favor dos catcallers; quando a jovem americana Shoshana Roberts publicou no Youtube um vídeo onde é assediada 108 vezes durante um percurso de 10 horas pelas ruas de Nova Iorque, o que mais me impressionou foram os comentários femininos sobre a roupa usada por ela (umas simples calças pretas e t-shirt preta), que ela já devia estar à espera dos ditos “piropos”, que deveria até sentir-se elogiada, que não é nada de especial ir na rua a ouvir desconhecidos proferir uma enxurrada de palavras de cariz sexual, pornográfico, desconfortável e sem lhe ser pedida qualquer opinião.

Sabemos que os homens são educados também por mulheres e estas deveriam ser as primeiras figuras a impor a necessidade de seus filhos respeitarem o sexo feminino, a serem cavalheiros, a saberem partilhar tarefas laborais e familiares, a terem consciência de que homem e mulher são mais parecidos que diferentes e ambos devem ser equitativamente merecedores das mesma oportunidades.
Já não estamos perante apenas questões de justiça salarial, de oportunidades de carreira iguais, de obter cargos de chefias por merecimento e não por género sexual, de não serem necessárias quotas, de se sexualizar a mulher na publicidade; estamos numa era em que é cada dia mais importante ensinar de raiz os valores de igualdade, de fraternidade, de amor, de respeito, de partilha, de dar às mulheres os devidos direitos enquanto cidadãs de sociedades pluralistas e avançadas, de transmitir a filhos e netos o valor humano e não o valor de se ser homem ou mulher ou nem homem nem mulher (outra questão para futuro debate).

O fenómeno do assédio sexual verbal não é recente, foi sendo tratado com leveza e como “coisa” própria de ser homem e pensar em sexo, foi-se relevando e as mulheres foram guardando para si o desconforto; mas nos últimos anos o fenómeno tem crescido, tem sido discutido nas redes sociais, tem sido objecto de queixas por parte de adolescentes e mulheres que já não têm sobre si o espectro de ter de “comer e calar”. E é preocupante perceber que este assédio se intensifica em países desenvolvidos, onde há mais abertura política e social para combater o machismo, a violência doméstica, a agressividade perante a mulher e onde a religião não é aparentemente tão restritiva e fanatizada, é inquietante perceber que a maioria dos catcallers se centram em adolescentes que pelo teor da idade “complicada” já se encontram mais vulneráveis a sentirem-se desajudadas, desajustadas, expostas, a sofrerem de problemas de autoestima fraca e a não verbalizarem os seus temores e as suas estórias de assédio.
 É fácil escolher vítimas mais permeáveis e do catcalling à pedofilia e ao tráfico sexual vai um passo mais pequeno do que se possa pensar. Urge que todos saibamos destes fenómenos, que usemos todas as maneiras de os enfrentar e dissuadir, que sejamos protectores e não predadores, que exijamos leis adequadas e postas em prática, que ensinemos aos nossos homens que só com igualdade e respeito entre sexos se deve fundar uma sociedade, um mundo melhor.

Ser-se mulher não pode significar ser-se alvo indiscriminado de ideias deturpadas, de comportamentos impróprios, de violação de direitos básicos, de premissas ditadas por uma qualquer religião ou partido político; ser-se mulher deve significar apenas ser-se humano e respeitado como tal.


24.10.17

hygge

Gosto destas palavras sem tradução, "hygge" está para a Dinamarca como a palavra "saudade" está para Portugal. Definir hygge é tão difícil quanto definir saudade... qualquer povo pode tentar vivê-lo da mesma maneira mas só os dinamarqueses o sabem realmente sentir e vivenciar plenamente. Contudo é sem dúvida o lado certo da vida e é um estilo de vida, se assim se pode chamar, muito mais fácil de adotar nesta época do ano.

Hygge é aproveitar os prazeres mais simples da vida na sua plenitude. É entregarmo-nos a eles, é respirar, é parar e usufruir inteiramente, é a busca da felicidade nas pequenas coisas. É sentir aconchego, paz, calma, leveza, é fazer com que o tempo passe mais devagar. Não existe uma formula para se viver um estilo hygge, tudo é demasiado pessoal, mas existem pequenas coisas que provocam as mesmas sensações na maioria das pessoas. Hoje deixo algumas dicas para o culto do hygge:

1 . palete de cores calmas - rodeia-te de tons calmos seja em casa, no trabalho ou até na roupa que vestes. Tonalidades de branco, cinzas claros, beijes, tons que te fazem desacelerar vão trazer tranquilidade e leveza aos teus dias.


2. velas - alguma vez paraste para olhar uma vela a arder e perdeste-te na sua chama? Existe momento mais relaxante? A luz ténue das velas dá uma sensação de aconchego própria deste estilo de vida. Enche a tua casa delas mas não descures a segurança nem te esqueças de nenhuma acesa durante a noite ou ao sair.

3 . cama confortável - o sono é fundamental e deve ser reparador. E aqui não conta apenas o ambiente do quarto mas também e especialmente a cama, desde o colchão à roupa de cama. Escolhe aquilo que se adapta melhor a ti, é importante que não sintas frio mas também não é preciso que passes a noite a transpirar.

4 . cria o teu canto hygge - seja um espaço para a leitura, contemplação ou para beberes o teu chá ou chocolate quente. Cada casa deve ter um recanto preferido e absolutamente acolhedor, de preferência um banco de janela com vista para a natureza. Adiciona-lhe almofadas e um cobertor e aproveita a companhia de um bom livro numa qualquer tarde de chuva. 

5 . mantém a lareira acesa - se há coisa que eu sinto falta cá em casa é de uma lareira com a madeira a crepitar. Se tiveres uma aproveita-a, estás na época do ano perfeita para isso. 

6 . texturas - os dinamarqueses usam uma mistura de materiais e padrões como uma forma de adicionar caráter e interesse ao que, de outra forma, seria um ambiente relativamente minimalista. A introdução de materiais quentes e naturais, como madeira, couro e lã, transformam qualquer ambiente "cru" num espaço aconchegante. 




7 . à mesa - um dos conceitos predominantes do hygge é o tempo entre amigos e familiares, reunir as pessoas que nos chegam ao coração em volta de uma mesa e entregarmo-nos ao prazer de uma boa refeição caseira regada com um bom vinho e brindada com amenas conversas e gargalhadas felizes tem tudo de hygge. Prepara tudo com o coração, cada detalhe, desde o menu à loiça que irá compor a mesa. Aproveita o momento e brinda à amizade. 

8 . lá fora - apesar do frio nada detém os dinamarqueses de se juntarem à natureza e respirarem o ar puro dos dias de Inverno. Enrola-te num edredom de penas falsas, cobertores, mantas, as camadas de aconchego necessárias para que te sintas confortável, junta os amigos em torno de um braseiro, rodeia-te com lanternas, aquece as mãos numa chávena de vinho quente e aproveita a natureza. 

9 . organização - nada nos tira mais o foco do essencial do que a desordem visual, esta é também muitas vezes um motivo de stress e confusão. Investe em soluções inteligentes para afastar a desarrumação e o excesso do teu dia-a-dia. 

10 . expõe as tuas memórias preferidas - hygge é o culto da felicidade e embora não se viva de memórias são elas que muitas vezes nos motivam e inspiram a criarmos mais e melhores memórias. Escolhe as fotografias que mais significado têm para ti, aquelas que te fazem recordar sorrisos, pessoas e momentos inesquecíveis, cria uma composição juntando-lhes pinturas, estampas, tudo o que te traga à lembrança as pequenas grandes coisas da vida, da tua vida.

11 . abraça o antigo e o imperfeito - nesta filosofia de vida nada tem que ser perfeito; o hygge é sentimentalismo e história. O cadeirão velho que costumava pertencer a um membro da família em vez do último grito da moda, a compor a montra de uma qualquer cadeia de lojas. Os dinamarqueses não gostam do desperdício, a cultura deles vai no sentido da reutilização e reciclagem de objetos onde poderão ser criativos comprando móveis antigos e restaurando-os ou mesmo encontrando novos propósitos para produtos antigo.

12 . cria o teu spa - um duche rápido é a opção mais rápida e ecológica para o dia -a-dia mas às vezes é importante parar e deixar que a água nos lave até à alma num ritual tranquilo. Para tal tudo conta, a começar pela casa de banho que deverá ser um espaço de descanso e rejuvenescimento. Simplicidade é sempre a melhor opção, no entanto, a acompanhar um banho quente e fumegante, algumas velas, roupões de banho macios e a possibilidade de ter música tornaram o banho num ritual prazeroso e relaxante porque nem todos os dias precisam ser iguais. 

Este sentimento hygge que hoje é tão popular torna-se cada vez mais inevitável de abraçar mas, por outro lado, cada dia mais difícil de o conseguir, dado a velocidade dos dias, as prioridades impostas pela sociedade e a escravidão do homem ao poder e ao dinheiro. Porém, quem consegue fugir à escravatura das horas, está mais perto de encontrar a felicidade.

Esta filosofia está na minha vida sempre que me vejo a ser engolida pelos dias e pela rotina. É com urgencia que faço uma pausa e recapitulo o que é importante. E, nesses momentos, vivo sem dúvida mais devagar embora o tempo passe igualmente depressa ♥

[imagem de fundo da capa]

10.10.17

de ♥ [quase] perfeita ♥ diy halloween



Podia meter uma foto minha com os cabelos em pé que é, e será, o meu estado natural deste mês de Outubro que mais parece um Halloween privado com o mês a fugir-me e eu feita louca a correr atrás dele. Mas vamos antes para uma versão mais soft do dia das bruxas.

Cá em casa, desde que vivo em Inglaterra e tenho as miúdas, que nos dedicamos a esculpir caras defeituosas em abóboras que colocamos à porta e iluminamos com velas. A casa enche-se de teias de aranha, morcegos fluorescentes pendem das janelas e velas dão mistério a todo o ambiente. Uma taça de doces é estendida a monstros e monstrinhos que nos vão batendo à porta e nós, vestidos a rigor, fazemos as honras da casa de um Drácula e uma bruxa que se casaram e tiveram uma morceguinha e uma bruxinha gata.
Este ano esqueçam lá isso tudo... pelo menos esqueçam as teias de aranha e os morcegos. As abóboras são um desperdício mas na verdade são minutos de enorme convívio e cumplicidade entre pai e filhas que já viraram tradição por aqui, o resto faz-se o que se pode. Mas não será por eu não decorar a casa com o mesmo esmero e dedicação que nos anos anteriores que vocês não o podem e devem fazer. Deixo três ideias giras e fáceis para este Halloween, mãos à obra!
 



22.9.17

[o meu] bullet journal

Já faz mais de um ano que optei por criar um bullet journal em vez de usar as agendas pré-formatadas disponíveis no mercado. Também já vai há algum tempo que ando para escrever este post até porque tem havido cada vez mais gente interessada no assunto, meninas do grupo vidas [quase] perfeitas, hoje é o dia.

Costumo dizer, a quem me diz que anda para fazer um bullet journal, que basta comprar um caderno ou juntar um conjunto de folhas numa pasta e a verdade é mesmo essa. A versatilidade deste tipo de diário é total, a liberdade é absoluta e todas, mas todas mesmo, as opções são válidas. A ideia de um bullet journal é servir os teus interesses, se é mais ou menos florido é uma opção tua, se tem cores ou é a preto e branco é um gosto teu, se as folhas são lisas, aos quadrados, aos pontinhos ou às riscas é conforme te der mais jeito. O que faz deste um elemento organizacional cada vez mais popular é mesmo as infinitas opções que ele pode ter e que se adaptam mais e melhor às necessidades de cada um e de acordo com cada personalidade.

Podemos tirar inspiração de muitos lados mas o sucesso de cada bullet journal depende unicamente de uma análise pessoal. O que te deves questionar primeiro é o que queres organizar no teu journal. O teu trabalho? A gestão da casa? Tudo? Numa perspetiva minimalista eu optei por juntar tudo no meu e a minha primeira tentativa não foi 100% eficaz porque escolhi um caderno quadriculado porém quando queria desenhar as minha peças [im]perfect os quadradinhos atrapalhavam um pouco pelo que juntei ao meu journal um pequeno caderno liso para dar largas à imaginação. Este Setembro resolvi iniciar um novo bullet journal e desta vez escolhi um caderno um pouco maior e com folhas lisas.
Existem alguns símbolos criados por quem idealizou o bullet journal, esses símbolos constam de um vídeo que eu já divulguei num projeto que tive há alguns anos e que podem ver aqui, eu adoptei parte desses símbolos. Depois recorri ao uso de cores para definir tarefas que correspondem às várias áreas da minha vida, por exemplo: amarelo para o blog, laranja para a [im]perfect, vermelho para os assuntos domésticos, etc. Optei por fazer planeamentos semanais sem estipular dias para isto ou para aquilo, não gosto de me impor escrever em dias que estou mais cansada por exemplo, por isso tenho uma lista de tarefas semanais e diariamente vou decidindo o que vou fazendo, o objetivo é chegar ao final da semana com tudo tratado.


Desta vez tive tempo e fiz também um calendário do ano para colocar datas importantes e eventos que me ajudam a melhorar o marketing da loja e blog ao lado do calendário tenho a minha lista de objetivos para o ano. Cada mês abro também com o calendário mensal onde assiná-lo dias em que tenho compromissos e separo uma página para os objectivos mensais. Depois coloco uma página para as tarefas semanais + uma página em branco para todo o tipo de notas que precise tirar essa semana. No final do caderno acrescentei uma rubrica chamada "ideias" onde coloco ideias que vou tendo sobre tudo e mais alguma coisa, desde ideias para posts, desenho de novo produtos, frases que me vêm à cabeça, etc.


Este é o meu método que funciona na perfeição sem me criar qualquer stress pois consigo controlar melhor os meus objetivos em todas as áreas da minha vida sem exagerar nas tarefas e sujeitar-me a ansiedades desnecessárias.
Qual o teu método? Tens um bullet journal ou manténs preferência pelas agendas pré-formatadas?

7.9.17

de ♥ [quase] perfeita ♥ outono


Outono foi, é e será a minha estação de sempre. Foi nela que nasci, foi nela que as minhas filhas nasceram e foi ela que marcou e marca muitos momentos importantes da minha vida, muitas reviravoltas. Nele guardo imensas memórias, mais do que em qualquer outra estação do ano. 
Por ser uma pessoa que precisa de luz, de sol, o verão inglês assumiu um papel importante na minha vida desde que me mudei para o Reino Unido mas, a verdade é só uma, nada bate os tons quentes que pintam as copas das árvores, nada vence os fins de tarde no sofá com a manta nas pernas e o chá na mão, nada bate esta sensação de começo em cada outono que se inicia na minha vida.

Dizem as tendências da decoração que está na hora de trocar os interiores brancos pela cor. Por muito que goste de cor, branco será sempre a cor das minhas paredes neste país. Toda a luz é pouca e, na falta de verão, que o branco seja a luz do meu outono. Porém concordo que esta estação traz com ela os mais belos tons e eles devem, sem dúvida, ser transportados para dentro de casa, nem que seja em pequenos detalhes.

Esqueçam os marmoreados acabados de comprar, os cobres e os conjuntos completos de mobília a condizer. Está na hora de criar um ambiente quente, eclético e cheio de personalidade.


  1. Verde-Escuro é a cor da estação. Armários da cozinha em verde-escuro são um must para esta estação e combinam genialmente com detalhes em pele e madeiras nobres.
  2. O quarto quer-se relaxante e anti-redes-sociais. Esqueçam as mesas-de-cabeceira e candeeiro com carregador de telemóvel incluído. As tecnologias ficam da porta para fora, nos quartos deste Outuno, que se pretende acolhedor e calmante. Um cadeirão para ler um livro, mantas ecanopies ou cortinas de renda são a tendência para este ambiente.
  3. O veludo está de volta. Existe tecido mais quente, suave e luxuoso para passarmos confortavelmente as chuvas de Outono e o frio gélido do Inverno? Não creio. Adereços como almofadas e mantas são uma boa aposta para introduzir esta tendência em casa sem derreter a carteira.
  4. As vergas já deixaram de ser um material de exclusivo do Verão há algum tempo. Com a preocupação numa decoração mais natural sem recorrer a sintéticos e materiais artificiais como plásticos, borrachas, etc, a verga tem ganho terreno na decoração das casas através dos pequenos mas importantes detalhes. O Outono de 2017 adopta a cor quente da verga e quer vê-la a enfeitar paredes, a manter as mantas no lugar e a servir de vasos a plantas. Ela veio para ficar.
  5. O latão veio tomar o lugar do cobre neste Outono. Molduras, candeeiros, puxadores e pequenos detalhes darão brilho à casa nesta estação. 
 Pinturas escuras, mobiliário e acessórios rosa coral, o boho a marcar o estilo nórdico com tons quentes e materiais naturais. As opções são vastas, prepara o teu ninho para o frio e aconchega-te.
 
 

31.8.17

de hollywood para a realidade [imperfeições alheias]

O lado negro do glamour hollywoodesco está gravado permanentemente no corpo, na mente e nas vidas de milhares de vítimas femininas, na maioria, e masculinas; são vítimas anónimas, vítimas que se tornaram "estrelas" e vítimas silenciosas que sofrem desde tenra idade os efeitos nefastos de abusos sexuais e psicológicos. 

 Uma rede contínua com tentáculos que se agarram a diversos meios sociais, desde o cinema à política, da banca ao tribunal e por aí em diante; em quase todos os sectores da vida magnata de milhares de homens norte-americanos se encontram vestígios desta rede gigantesca onde prolifera a pedofilia, a violência física e psicológica, a pornografia infantil e juvenil, o sadismo de mentes perturbadas ou simplesmente más, as psicopatias que o dinheiro permita satisfazer.
Crianças desde idades pré-escolares são vendidas, emprestadas, usadas e abusadas ao bel-prazer de mentes doentias, sem escrúpulos e muito dinheiro para satisfazer pensamentos tortuosos e denegrir vidas que só com anos de terapia e ajuda conseguem uma mínima paz para não sucumbir ao suicídio ou até homicídio; muitas crianças não sobrevivem, algumas nunca se salvam e as restantes que conseguem sair ficam marcadas para sempre.

Com os crescentes holofotes sobre o tráfico humano e sexual, com a cumplicidade de organizações governamentais e ONG’s e com as redes sociais desempenhando um papel vital de “livros abertos”, vem sido mais audível a voz de centenas de mulheres conhecidas e anónimas que ganham coragem para denunciar abusos, abusadores e redes operando como polvos no mar da moral corrupta e sociopata que se alastra pelos mais diversos recantos do mundo. Já não é uma questão de famílias pobres que vendem as filhas com o intuito, mesmo que errado, de lhes proporcionarem um melhor futuro nem uma mancha nos países de leste onde as mafias há décadas se servem da sua influência para imprimirem medo e aliciarem jovens com promessas de uma vida glamorosa por entre desfiles de moda ou carreiras de actrizes bem sucedidas em Hollywood.

Actualmente o dinheiro compra tudo, e digo tudo porque mesmo quem não se deixaria comprar em circunstâncias de plena liberdade acaba por sê-lo forçadamente e sem maneira de ripostar tal facto; são inúmeras as crianças a partir dos 4 anos que décadas antes de se tornarem “famosas” nos meios cinematográficos, jornalísticos, teatrais e outros se viram arrastadas para mundos obscuros, tortuosos, viciados, psicóticos, diabólicos onde homens as compraram para seu bel uso e prazer, as violaram da mais hedionda forma de desumanização, as torturaram para satisfação de fantasias distorcidas e as deixaram “rodar de mão em mão” até não se sentirem mais humanas, dignas e em casos extremos até falecerem.
Os meandros hollywoodescos nada têm de glamoroso e estão fundados em redes secretas onde qualquer vício é facilmente suportado pelo dinheiro, pela influência política, pelo lobby socio-económico, pelo silêncio da maioria das vítimas, pela cumplicidade dos que observam e nada denunciam…
Cada dia mais mulheres têm conseguido contar suas estórias, têm vindo a expor a ferida aberta e a derrubar seus próprios fantasmas de quando um dia lhes roubaram a inocência, a virtude e até o orgulho em ser mulher. Variadas associações de apoio a vítimas de crimes e ofensas sexuais têm conseguido expor parte desta rede mundial e têm sido feitas pressões governamentais para que os monstros saiam da escuridão e sejam caçados.

 Quando leio relatos verídicos de mulheres que aos 5 ou 6 anos se viram envolvidas no submundo do sexo brutalmente distorcido, sendo tratadas como pedaços de carne para abate após seu desgaste, sendo enjauladas como animais de circo para cederem à liberdade individual, para perderem qualquer vestígio de dignidade pessoal, sendo passadas entre homens violentos que as insultam e torturam física e psicologicamente, sendo mortas depois de já não terem "uso"… quando leio todas estas estórias meu peito aperta-se e questiona: “como é possível a mente humana alojar tal maleficência e quebrar toda e qualquer barreira que separa a racionalidade da irracionalidade dita animal?”
E questiono-me como tantas destas mulheres conseguiram reerguer-se após o inferno ser a única visão de vida durante longos anos, como se tornaram heroínas ao conseguirem colar cada pedaço seu e não desistirem da luta contra a ira dos homens que as sonegaram à felicidade e as mutilaram permanentemente.

Toda e qualquer destas mulheres que agora se fazem voz das que ainda são silenciadas merecem um amplo aplauso e merecem que a justiça acorde e que cada um de nós faça tudo aquilo que possa para mudar o mundo, mesmo que passo a passo, minuto a minuto, ano a ano.
O que cada mulher e homem de bem possa fazer, falar, denunciar é um passo gigante na compreensão de que o mundo pode e deve ser um lugar melhor e sem medos.


3.8.17

a escolha de não ser mãe [imprefeições alheias]

Hoje venho-vos falar sobre um tema que causa polémica na sociedade, que produz ideias contrastantes e gera muitas vezes opiniões extremadas de ambas as partes que vivem ou não a maternidade.

Vem de longe, desde que o homem evoluiu para uma espécie inteligente e reprodutora, a tão generalizada e enraizada ideia de que a mulher evoluiu para ser mãe e fortalecer a espécie com o contributo da doação de vidas; e é óbvio que sendo apenas a mulher a conceber vida para que a espécie humana continue a sua reprodução e evolução seria desastroso para a nossa sobrevivência se todas as mulheres vivas se negassem a engravidar e gerar homens e mulheres.
Mas a questão que me leva hoje a escrever sobre a maternidade é sobre crença, empatia e até mesmo altruísmo por parte das mulheres que decidem de plena consciência não serem mães, quer biológicas quer adoptivas, tendo de antemão uma legião de vozes contra tal decisão. A maioria de vocês que me lerão serão provavelmente mães, mulheres que escolheram ser mãe por desejo e por convicção, por vontade de deixar no mundo o vosso legado e sentirem-se preenchidas e nutridas por tal "profissão" eterna; e por isso é de extrema importância que entendam estas minhas palavras como parte de uma opinião pessoal sem qualquer tentativa de julgar ou reclamar qual das opções está certa ou errada.

É meu intuito apenas que haja compreensão mútua entre mulheres que são mães e mulheres que não são mães, uma difícil tarefa nas sociedades que se têm degladiado numa demanda em criar uma espécie de céu e inferno da "bíblia maternal"; como se a perfeição estivesse do lado das geradoras de vida e a imperfeição naquelas que "recusam" o dom de dar à luz uma criança. A mim faz-me alguma impressão quando se diz a uma mulher que não quer ser mãe que esta morrerá incompleta, que está a renegar a maravilha da maternidade, que não será esposa dedicada, e outros aforismos do género (muitos deles embebidos em crenças religiosas que deturpam a imagem feminina).
Eu confesso que não sou mãe, nunca senti aquele dito desejo maternal, que não me embeveço na presença de bebés, que estou longe do esterótipo de esposa dedicada e mãe de filhos atenta e extremosa; não entendam como não gostando de crianças, gosto da gargalhada pura de um bebé e divirto-me com os sorrisos de crianças e sua ingenuidade mas não numa vertente permanente 24 sobre 24 horas em que o "papel" de mãe recaia sobre mim.

Acredito que uma mulher não toma a decisão de não progenitorizar de ânimo leve, e não falo aqui dos casos das que não podem ser mães por motivos biológicos, pois é também esta uma decisão para a vida que terá consequências igualmente "eternas"; e acredito que quem decide não ser mãe deve ser respeitada pelas suas iguais sem que constantemente passe por escrutínios de familiares, amigos, vizinhos, que se acham no direito de tecer duras críticas à sua escolha.
Por diversas vezes assisti a conversas em que mulheres reivindicavam a maternidade como algo sagrado, como uma escolha que deveria ser inquestionável e uma espécie de burka a ter que ser usada por todo o género feminino; senti olhares de reprovação ao relatar a minha escolha e fui confrontada com a ideia de que estarei a cometer um grave erro, até mesmo a ser ingrata com o meu útero que foi "criado" para gerar vida, quase como se roubasse esse direito às mulheres que não podem ser mães.
Mas sejamos honestas, deixemos questões de cariz religioso no lugar devido, façamos uma análise puramente científica e biológica: seria possível a cada mulher que decide não gerar uma criança dar a cura para cada uma que não o pode fazer por deficiência biológica? A resposta todas sabemos é não, se eu opto por não ser mãe isso não faz com que por artes mágicas uma mulher algures de repente o possa ser, logo eu não devo ser responsabilizada por estar a "deitar fora" o meu dom de poder gerar vida.

Como vos disse no início deste meu pequeno contributo, o tema da maternidade é sensível e gera há séculos discórdia entre mulheres e é essa dicotomia que me gera alguma incompreensão na união entre o sexo feminino; porque seriamos mais fortes se nos entendêssemos mutuamente, se aceitássemos as escolhas de cada uma sem questionar os motivos e apontar dedos acusatórios, se compreendessemos que até a maternidade deve ser uma escolha pessoal sem influência de outros.
Decidir não ser mãe deve ser tão válido como desejar sê-lo e essa escolha não deve tornar-se num pêndulo crucificatório sobre a cabeça de quem por motivos pessoais ou de outra génese a faz. Querer tornar uma mulher que opta por não gerar vida e também não adopta numa espécie de pária social é inocrrecto, é indevido e é muitas vezs injusto, ninguém sabe os porquês de tal decisão e até mesmo as circunstâncias de vida que levam uma mulher optar por não ser mãe biológica ou adoptiva.

A minha decisão por exemplo teve vários factores, desde questões que se prendem com pouca certeza de vir a ser uma boa mãe (com capacidade para educar, alimentar, compreender, escutar, criar e afins) até factores temporais e sentimentais. Porque por vezes há mulheres que até pretendem inicialmente ser mãe mas vão adiando a gravidez por motivos profissionais, familiares, emocionais, etc, e quando se dão conta a idade já não acolhe tal ideia e a vontade acaba por diluir-se; e também há as que demoram a encontrar um parceiro com quem sintam realmente que ser mãe faz sentido, que não querem fazer por pressão ou acabar com um bebé de pai ausente e nada responsável e por isso acabam por centrar a felicidade noutros aspectos.
E depois há o meu caso, que será possivelmente o de tantas outras mulheres, em que a decisão se prendeu maioritariamente com um sentido altruísta de não dar vida a uma criança apenas com o intuito de "agarrar" um homem, de dar um neto aos meus pais (de filha única, sem hipótese de serem avós de outro progenitor) para os ver mais felizes ou de fazer aquilo que é esperado a uma jovem em idade casadoira e fértil.
E quando digo altruísta é porque entendo convictamente que ser mãe não é dar à luz e é o oposto de querer ter um filho, aliás li há pouco um artigo muito bem escrito de um psicólogo que punha o dedo na ferida questionando as mulheres o seguinte: - querem ser mães ou terem um filho? - e a diferença, creiam, é abismal porque qualquer mulher está apta a ter um filho (salvo as tais excepções impeditivas do foro físico) mas nem toda o está a ser mãe.

Eu entendi que poderia ter um filho mas não ser mãe e tomar a decisão difícil de não ser é para mim altruísta no sentido de preservar uma criança que nasceria e não seria porventura envolvida no acto gigante da maternidade tal como deveria ser; poupar um ser humano a crescer no seio de dúvidas, de incertezas, de incapacidades alheias é deixar o mundo um pouco menos cheio de tantos homens e mulheres nascidos e criados por mulheres em permanente questionamento se estes deveriam ou não ter nascido e se elas não seriam mais felizes sem eles.

Termino dizendo que a única coisa de que tenho a certeza é que se fosse mãe amaria incondicionalmente a minha filha (e digo filha porque sempre acreditei que se viesse afinal a ser mãe teria uma filha saída do meu ventre), mas ser mãe não é também apenas amar o ser que geramos pese esse ser o mais importante sentimento no seio da maternidade.

Ás mães que me lerem, o meu apoio pela decisão de o serem; ás não mães, o meu mesmo apoio pela decisão de não o terem sido.


20.7.17

+ que mera sobrevivência [imperfeições alheias]

Não é fácil contornar as notícias diárias que a televisão teima em mostrar sempre pelo lado negro, ouvir mais uma catástrofe, mais um acidente, mais pessoas morrendo de fome, mais um teatro de guerra destruído e mais floresta ardida, gente sem casa e outros cenários de sangue e maldição.
Não é tarefa rápida nem segura conseguir abstrair nossa mente de tanta falha humana, de tanto choro do planeta terra que se insurge contra as agressões que se acumulam na biosfera; e não é seguramente difícil deixarmo-nos desiludir, perdermos o rumo, desistirmos de ser feliz em todas as ocasiões.

Mas o que necessitamos de entender a cada hora que passa, a cada cabelo que embranquece, a cada ruga que surge, a cada pedaço de pele que envelhece é que a vida não espera pela altura em que estejamos preparados para a verdadeira mudança; a vida empurra-nos para caminhos encruzilhados com o propósito de nos abanar, de nos fazer pensar no melhor passo a dar para a descoberta mágica da simplicidade das coisas. Não é viver que é difícil mas sim dedicar-lhe alma e coração, todos sabemos sobreviver aos dias respirando e alimentando o corpo mas poucos sabem transformar tal energia em pedaços de céu estrelado e vestir o corpo de bondade, de festa.
A vida é uma passagem, uma ponte que atravessamos em direcção ao desconhecido e que tem quilómetros contados embora não os possamos visualizar; esta incógnita que pendula sobre nossas cabeças deveria ser o mote bastante para não nos aterrorizarmos com o mal, para nos mantermos sãos e em uníssono com a natureza que nos criou, para não destruirmos a casa que decidiu albergar-nos sem pedir em troca mais que cuidado e compaixão.

O acto de viver com tempo contado teria de ser a arma utilizada na construção de sonhos, na fraternidade entre povos, na compreensão de ideais diferentes; seríamos eficazes como estandarte de uma inteligência posta apenas ao serviço do sorriso, da liberdade, se não deixássemos nosso cérebro ser domado pela sede de poder materialista. Ao longo de séculos os homens corroeram-se, destituíram-se da racionalidade que os deveria distinguir dos outros animais, aprisionaram-se, maldisseram seus antecessores, destruíram ideais e dizimaram-se em troca de territórios, de dinheiros e estatutos socioeconómicos.

Mas o que hoje vos quero mesmo contar vai para além do que deveria ser viver, disso já vos escrevi aqui , vai de encontro à estória da mulher que um dia acordou, se olhou no espelho e percebeu que metade da sua vida já estava contada nas marcas do corpo, nos primeiros cabelos brancos e nas primeiras rídulas ao redor do olhar; uma mulher de ar jovial e olhar triste mas de sorriso fácil e captado com ligeireza pelos olhares atentos dos seus, uma mulher desiludida com seu passado por se ter submetido demais às vontades alheias e não ter gostado mais de si como sempre lhe aconselhara sua mãe, sábia e lutadora. Até ao dia em que o espelho lhe indicou a única arma que precisava utilizar para reverter dias difíceis, noites solitárias, convívios ensossos, a arma de ser fiel a si, de acreditar em si, de sonhar-se a si.
Sabemos que não é fácil modificar padrões de vida, que não acordamos de repente uma outra pessoa e nem o mundo desperta completamente cor-de-rosa onde todos sorriem e onde não há vislumbre de maus exemplos, más pessoas. Mas posso-vos dizer com a certeza de estar aqui que tudo o que necessitamos para mudar é de acreditar. Acreditar no nosso íntimo, escutar a nossa intuição, despertar as armas secretas com que nascemos dotados e perseguir todo e qualquer sonho por mais disparatado que possa parecer é tarefa mais simples que se julga porque é algo inato ao ser-se humano.

A proliferação dos desvios que temos visto ocorrer nas sociedades, para que o mal semeie e se multiplique, não é inevitável nem marca da génese humana mas sim apenas produto daqueles que deixaram há muito de crer, de sonhar, de ser criança de coração, de amar e de se vestir de coragem. A coragem de nos enxergarmos, de nos ouvirmos, de nos transfigurarmos em nosso melhor poder é a arma que nos livra de dissabores, de mortes precoces, de dias cinzentos, de desamores fatais; a coragem de sermos magia de outrem, de vestirmos os corpos de sorrisos e abraços e a coragem final de aceitarmos que só com fé em nós primeiro poderemos encetar pela única estrada que a vida premeia: a estrada da magia de ser humano!  

 Posso-te dar um conselho? – então fecha os olhos, inspira e expira todo e qualquer dia cansado, ouve apenas o bater do teu coração, assimila todo e qualquer sonho por realizar, visualiza-te a sorrir, engrandece a imagem que tens de ti; abre os olhos e deixa o espelho devolver-te a magia que deixaste cair ao longo dos dias mais difíceis, concentra-te em ti, abre os braços e abraça-te porque apenas contigo terás de ajustar contas.
Sentes-te melhor? – é apenas o primeiro passo para que de hoje em diante sejas como a mulher de que falei, mais crente de que não é difícil viver se o fizeres com ajuda da única arma que necessitas: a crença em Ti!

por Nádya Prazeres

18.7.17

bastidores do trabalho ♥ brandless berta

Brandless Berta é uma das marcas da Helena Ribeiro. Quem é a Helena Ribeiro? É isto... este sorriso livre e esta enorme força de viver. Não conheço pessoalmente esta mulher coragem mas trocamos tantas gargalhadas juntas que esta é mesmo a melhor imagem que faço/tenho dela. Não há barreira grande demais, nem criatividade que fique por concretizar, não existem vitórias fáceis nem celebrações por festejar. Helena é vida, é sol e é mar e é, toda ela, esta marca que talha com o coração nas agulhas que tem nas mãos. Às vezes não precisamos mais do que um sofá para montar o nosso próprio negócio.
Sou a Helena, tenho 42 anos, vivo em Coimbra com o amor da minha vida, o meu filho.
Sou licenciada em Arquitetura, vim para Coimbra tirar o curso e nunca mais fui embora.
Não exerço arquitetura, nunca exerci, por uma questão de falta de oportunidade. Acabei o curso já integrada na função pública, o que me levou pela vertente mais burocrática da especialidade.
Talvez por isso sempre tenho sentido uma necessidade extra de criar, de estimular a imaginação, de aprender cerâmica, fotografia, programas informáticos, técnicas de trabalho em acrílico... um sem número de coisas.
O trabalho em acrílico, todo manual, é uma coisa que me absorve muito e, exigindo que trabalhe num espaço próprio, fica mais complicadoo com o meu filho ainda pequeno. Comecei então a procurar uma forma criativa de me expressar que pudesse fazer sentada no sofá, com ele ao pé, o croché pareceu-me ideal.


O croché apareceu na minha vida relativamente cedo. Aprendi a fazer croché com a minha avó, nas minhas férias de verão, por volta dos sete anos. Em todas a férias de Verão lá aprendia a fazer mais um ponto, um truque, uma peça... tanto com a minha avó como com a minha mãe, tanto croché como tricô ou até bordar. Não me lembro quando parei, mas sei que passaram-se anos sem fazer fosse o que fosse.
Foi então que, com o nascimento do meu filho, voltei às origens com o ponto de cruz nos babetes e as mantas em croché.
Com este interesse renovado, comecei a pesquisar e fiquei maravilhada com os novos artigos de joalharia em croché, comecei a procurar modelos para mim mas não encontrei nada como queria, foi então que resolvi desenhar e fazer eu própria as minhas peças dando origem aos pequenos brincos em ponto pipoca, claro que com muito faz e desfaz pelo meio até conseguir a imagem e forma desejada. Daí para os alfinetes foi um salto.
Mais tarde enveredei pelo mundo do amigurumi, do croché japonês, das maravilhosas revistas japonesas. E, além de fazer algumas peças de vestuário para mim, comecei a fazer miniaturas de vegetais, fungos e frutos.

Nunca sigo instruções sem inventar, acrescentar, retirar, desmanchar e refazer.

Depois de me separar do pai do meu filho fiquei no desemprego, todos os planos que tinha para lançar um negócio próprio, já com uma máquina de corte e gravação a laser que entretanto adquiri, foram por água abaixo.
No ano passado voltei ao croché, e fiz dois biquínis para mim, uma curiosidade minha que já estava para satisfazer há algum tempo mas que só tive coragem quando perdi o peso físico que tinha a mais. No entanto, só há poucos meses, numa situação de vida menos positiva, é que parei para pensar: "o que poderei eu fazer para conseguir dinheiro para pagar as contas". Foi quando me lembrei do meu biquíni feito o ano passado e tão cobiçado pelas amigas. Como já tinha uma amiga que me tinha pedido um comecei por fazer o dela que ficou uma verdadeira delicia. Desde esse as minhas mãos não têm parado.
Tenho modelos em que uso os esquemas que encontro na internet, que tem sido grande fonte de inspiração, tenho outros que são 100% criações minhas.
Estou sempre atenta aos modelos das coleções atuais porque qualquer forma, modelo ou imagem são inspiração para novas ideias e designs.

A marca está a crescer e a solidificar-se com a ajuda das amigas e conhecidas, desafiando-me para criar novas e diferentes peças, as contas têm sido pagas. Porém, para crescer com consistência há que fazer chegar o meu produto a novas clientes. Toda a divulgação é muito bem-vinda e, se por acaso gostarias de ter uma peça única feita à tua medida, não hesites em contactar-me pelo facebook ou através da minha loja etsy. Segue-me também no instagram e torce por mim ♥
[todas as imagens]

14.6.17

numa folha em branco

Foi há quase sete meses que criei o grupo de facebook: vidas [quase] perfeitas. Um grupo de e para mulheres. Um espaço pequeno, acolhedor, onde partilhamos o bom, o menos bom e o assim-assim, onde não há espaço para intrigas, desgastes e exclusões, onde somos todas ou não é ninguém. 
Neste espaço tenho crescido, tenho aprendido e tenho partilhado. Um canto onde, apesar das divergentes opiniões, da troca de ideias e das conclusões nem sempre unânimes, a amizade e empatia mantém-se e quem está a mais não encontra espaço mas, quem encontra espaço, cabe sempre, sempre, no nosso abraço.

A nossa tarefa deste mês é descobrirmo-nos. É encontrar em nós todas as coisas boas que esquecemos ter, numa sociedade que teima em nos lembrar e aumentar os pequenos defeitos.
Numa folha em branco cabe a cada uma escrever uma característica pessoal positiva em cada dia do mês. Um exercício que também te convido a fazeres, somos tão mal tratados diariamente que, se não formos nós a lembrarmos que somos muito melhores que tudo isto, ninguém, mas mesmo ninguém, o fará. ♥

17.5.17

estas [boas] ideias sustentáveis ♥ Näz


Não é a primeira vez que valorizo projectos que se preocupam com o futuro, em especial com o meio ambiente. Hoje é a vez da Näz, uma marca de vestuário feminino que apresenta escolhas sustentáveis e fair-trade com estética contemporânea e minimalista. 

A Näz está pronta para lançar a sua coleção Primavera/Verão 2017 e, para tal, está a organizar, em parceria com A MONTRA / THE WINDOW, um evento na novíssima Organii Concept Store.  O evento terá lugar esta sexta-feira, pelas 19:30, durante o OPEN DAY do LxFactory, em Alcântara (Lisboa).


Se tiveres oportunidade não deixes de aproveitar o fim de tarde de sexta-feira na LxFactory, Alcantara vai estar ao rubro. A entrada é livre, as crianças são bem-vindas e os designs desta nova coleção são refrescantes e convidam ao Verão. A Näz vai estar com descontos, a ONNO vai trazer uma montra viva com os seus manequins e ainda, as cliente Näz, vão ter a oportunidade de participar numa sessão fotográfica, se estas não forem razões suficientes para ir então não sei que mais vos posso dizer...♥

Deixo-vos com o programa:

Local e dia: Open Day LXFactory | 19 de maio | ORGANII BIO Concept Store

19:30 | Apresentação A MONTRA / THE WINDOW
20:00 | Conversa com Cristiana Costa, designer e fundadora da Näz
20:30 | Cocktail por Foodprintz: food, yoga & education


[evento no Facebook]


 


9.5.17

de ♥ [quase] perfeita ♥ varandas

Tenho andado aos poucos a arranjar o meu jardim. Todos os anos por esta altura ou, quando o tempo ajuda, até antes, arrumo a bagunça que o inverno deixa sempre no nosso jardim. Não só pelo mau tempo que o enche de folhas, ervas daninhas e arbustos descontrolados mas também pela falta de uso, este espaço acaba por virar um pouco um depósito de tralha que já não cabe ou tem uso em casa. 
Como o tempo não tem convidado ao jardim, e quando convida temos optado por ir passear ao mar ou conhecer novas paragens, esta tem sido uma tarefa repartida pelos bocadinho que vão sobrando dos fins de semana em que não está a chover, portanto uma tarefa que não parece ter fim...
Este fim de semana juntei mais dois vasos ao pequeno arranjo floral que estou a criar e lembrei-me o quanto sempre foi importante para mim ter um espaço relacionado com o exterior dentro do meu espaço casa. Acho que mais do que uma coisa pessoal é uma coisa portuguesa. Os Portugueses em geral procuram casas/apartamentos com varandas, pátios, jardins... com algum espaço onde possam colocar a cabeça de fora sem saírem de casa.

Hoje resolvi trazer alguma inspiração nesse sentido porque acredito que andem todos tão desejosos de experimentar as vossas varandas como eu o meu futuro "novo" jardim, oxalá o S. Pedro nos brinde com um verão generoso ♥









Mais pequena ou maior, quem tem uma varanda consegue criar um canto acolhedor para relaxar a ler um livro nos finais de dia de verão ou para degustar alguns petiscos ao ar livre nas tardes quentes de fim de semana. Algumas almofadas de vários tamanhos, plantas, velas e/ou lanternins, são o essencial, tudo o resto dependerá do espaço existente e do dinheiro disponível, mas não deixem de aproveitar a vossa varanda ou pátio neste verão. Já têm planos?