PODES CONTINUAR A SEGUIR-ME AQUI!
Até já!
www.crisloureiroblogs.com
Mostrar mensagens com a etiqueta MOTHERHOOD. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta MOTHERHOOD. Mostrar todas as mensagens

26.10.17

catcalling [imperfeições alheias]

Catcalling happens to most women between the ages of 11 and 17.
The largest study of its kind has shown that 84 per cent of women, across 22 countries, are experiencing street harassment before the age of 17 - and that figure is even higher in Britain, about 90 per cent of women under aged.” (in The Telegraph, May 2015)

Ser mulher não é fácil num mundo onde ainda hoje, em pleno século XXI, a maioria das sociedades são patriarcais, machistas, regadas por ideias ancestrais e religiosas de que a mulher é inferior ao seu par masculino e lhe deve obediência, respeito e vassalagem. Ser mulher não é simples em nenhum país, mesmo no continente europeu dito mais civilizado, não é tarefa fácil viver rodeada de estereótipos sociais e económicos que julgam o sexo feminino frágil, emotivo, bipolar, dado a histerismos e ainda por cima pouco fiável em cargos de chefia ( a tal “coisa” da maternidade que as ausenta do laboral intento).
E ser mulher jovem é ainda mais complexo quando os ditos protectores são os agressores, os que diminuem a importância extrema de uma adolescência confortável, segura, genuína e sem influências nefastas de uma sociedade cada dia mais egoísta, violenta e xenófoba.

Hoje falo-vos de um fenómeno crescente nas sociedades, nas grandes metrópoles europeias e americanas, onde o assédio sexual verbal é constante e causa em muitas mulheres não só desconforto como inclusive problemas psicológicos e de autoestima. Relembrem-se de todas as vezes que passeavam na rua, seguiam de metro ou autocarro, estavam num café sozinhas ou num banco de jardim e um qualquer idiota vos interrompia o pensamento com palavras impróprias, “elogios” sexuais ao vosso corpo, rosto ou maneira de andar, lembrem-se de alguns serem ainda mais abusados e apalparem-vos ou seguirem-vos alguns metros a sussurrar propostas indecentes ou pedirem-vos um contacto, e tudo com o ar mais natural de quem acha que apenas está a elogiar uma cara bonita…(é o que muitos pensam!)
O fenómeno internacional conhecido pela expressão catcalling não é recente mas nos últimos dois anos tem sido mais discutido no seio das políticas internas dos países mais afectados por este tipo de assédio sexual às mulheres, as organizações dos direitos humanos e ONG de apoio e proteção à Mulher têm denunciado inúmeros casos e o que este tipo de atitudes pode causar no desenvolver saudável da feminilidade. É urgente que os governos alterem leis e que se comece a relacionar este tipo de assédio com o que é já punido por lei no seio do mundo laboral.
Andar na rua, usar transportes públicos, disfrutar de parques para caminhar, conviver numa esplanada, visitar museus, sorrir em público, caminhar alegre ou de rosto velado não pode nem deve ser motivo para ouvir impropérios de homens que se julgam no direito de tentar a sorte de ter sexo com uma rapariga/mulher, porque o acto de catcalling não é mais que a tentativa velada de ter um encontro sexual imediato.

Here's something that shouldn't be a secret: guys catcall because they think it will somehow lead to them having sex. I've never once seen it be successful, but guys keep doing it, and that's the reason. But that's what's really going on, and the guys doing it don't care if it's disrespectful.
Of course it's disrespectful! Many girls complain about it yet it keeps happening. If it was meant respectfully, then as soon as women started talking about how it made them uncomfortable, it would've stopped.” (by Michael Hollan, Blogger, in Your Tango Jan.2017)

Mas para além dos homens continuarem a achar normais os ditos “piropos”, de os fazerem descaradamente e sem respeito e insidirem os mesmos em raparigas jovens, muito mais que em mulheres a partir dos 30 anos, o problema ultrapassa a questão dos géneros e reflecte-se em sociedades inteiras que não protegem o sexo feminino, que não ensinam nas escolas o respeito mútuo, que continuam a premiar os homens com cargos de superioridade hierárquica, que instigam ao banalizar de situações desconfortáveis e recorrentes sobre as mulheres. E é ainda mais incompreensível quando lemos nas redes sociais, nas colunas de opinião, em blogs, as opiniões de mulheres a favor dos catcallers; quando a jovem americana Shoshana Roberts publicou no Youtube um vídeo onde é assediada 108 vezes durante um percurso de 10 horas pelas ruas de Nova Iorque, o que mais me impressionou foram os comentários femininos sobre a roupa usada por ela (umas simples calças pretas e t-shirt preta), que ela já devia estar à espera dos ditos “piropos”, que deveria até sentir-se elogiada, que não é nada de especial ir na rua a ouvir desconhecidos proferir uma enxurrada de palavras de cariz sexual, pornográfico, desconfortável e sem lhe ser pedida qualquer opinião.

Sabemos que os homens são educados também por mulheres e estas deveriam ser as primeiras figuras a impor a necessidade de seus filhos respeitarem o sexo feminino, a serem cavalheiros, a saberem partilhar tarefas laborais e familiares, a terem consciência de que homem e mulher são mais parecidos que diferentes e ambos devem ser equitativamente merecedores das mesma oportunidades.
Já não estamos perante apenas questões de justiça salarial, de oportunidades de carreira iguais, de obter cargos de chefias por merecimento e não por género sexual, de não serem necessárias quotas, de se sexualizar a mulher na publicidade; estamos numa era em que é cada dia mais importante ensinar de raiz os valores de igualdade, de fraternidade, de amor, de respeito, de partilha, de dar às mulheres os devidos direitos enquanto cidadãs de sociedades pluralistas e avançadas, de transmitir a filhos e netos o valor humano e não o valor de se ser homem ou mulher ou nem homem nem mulher (outra questão para futuro debate).

O fenómeno do assédio sexual verbal não é recente, foi sendo tratado com leveza e como “coisa” própria de ser homem e pensar em sexo, foi-se relevando e as mulheres foram guardando para si o desconforto; mas nos últimos anos o fenómeno tem crescido, tem sido discutido nas redes sociais, tem sido objecto de queixas por parte de adolescentes e mulheres que já não têm sobre si o espectro de ter de “comer e calar”. E é preocupante perceber que este assédio se intensifica em países desenvolvidos, onde há mais abertura política e social para combater o machismo, a violência doméstica, a agressividade perante a mulher e onde a religião não é aparentemente tão restritiva e fanatizada, é inquietante perceber que a maioria dos catcallers se centram em adolescentes que pelo teor da idade “complicada” já se encontram mais vulneráveis a sentirem-se desajudadas, desajustadas, expostas, a sofrerem de problemas de autoestima fraca e a não verbalizarem os seus temores e as suas estórias de assédio.
 É fácil escolher vítimas mais permeáveis e do catcalling à pedofilia e ao tráfico sexual vai um passo mais pequeno do que se possa pensar. Urge que todos saibamos destes fenómenos, que usemos todas as maneiras de os enfrentar e dissuadir, que sejamos protectores e não predadores, que exijamos leis adequadas e postas em prática, que ensinemos aos nossos homens que só com igualdade e respeito entre sexos se deve fundar uma sociedade, um mundo melhor.

Ser-se mulher não pode significar ser-se alvo indiscriminado de ideias deturpadas, de comportamentos impróprios, de violação de direitos básicos, de premissas ditadas por uma qualquer religião ou partido político; ser-se mulher deve significar apenas ser-se humano e respeitado como tal.


18.10.17

querida C.

No meio desta azafama que é a vida, vais-te impondo, ganhando confiança, criando raízes, conquistando sorrisos... muito longe deixas as memórias dos teus primeiros dias de vida frágil... tão longe que mal os consigo associar a ti, a nós. A vida é uma luta e tu, minha reguila, aprendeste-o desde o primeiro suspiro. É tão difícil não gostar de ti, desse teu jeito doce e maroto. É impossível fugir ao teu abraço e não derreter com o teu beijo repenicado. 


Hoje completas 4 anos de uma vida cheia de aprendizagens, alegrias, saúde, com alguns dramas e birras à mistura, mas sempre disposta a seguir em frente levando-nos a reboque num reboliço enérgico de emoções. Todos os dias agradeço não termos desistido de ti, não há um só em que me arrependa.

Não te deixes moldar, sê tu o molde. Não caminhes na sombra dos outros porque o teu caminho, aquele que fazes consciente e tantas vezes solitária, esse, te garanto, será sempre o teu melhor caminho. Não és igual a ninguém e não o tens de ser, é a diferença que nos torna únicos e a unicidade é a garantia maior de um futuro plural, limpo e verdadeiro.
Mora em mim a esperança de que esse teu jeito independente te faça conquistar o teu mundo, sem medo do desconhecido, com coragem para te levantares sempre, mais uma e outra vez, com o mesmo coração generoso que possuis mas com a frieza necessária para te afastares do que/quem te faz/fez mal.


És o nosso ser de luz, uma luz que nos banha de fé e nos enche de esperança... desde o primeiro dia em que te conheci, ainda dentro da minha barriga.

Hoje é o teu dia, hoje e todos os restantes 364... Parabéns meu amor gigante, és e serás sempre a nossa budinha linda ♥

22.9.17

[o meu] bullet journal

Já faz mais de um ano que optei por criar um bullet journal em vez de usar as agendas pré-formatadas disponíveis no mercado. Também já vai há algum tempo que ando para escrever este post até porque tem havido cada vez mais gente interessada no assunto, meninas do grupo vidas [quase] perfeitas, hoje é o dia.

Costumo dizer, a quem me diz que anda para fazer um bullet journal, que basta comprar um caderno ou juntar um conjunto de folhas numa pasta e a verdade é mesmo essa. A versatilidade deste tipo de diário é total, a liberdade é absoluta e todas, mas todas mesmo, as opções são válidas. A ideia de um bullet journal é servir os teus interesses, se é mais ou menos florido é uma opção tua, se tem cores ou é a preto e branco é um gosto teu, se as folhas são lisas, aos quadrados, aos pontinhos ou às riscas é conforme te der mais jeito. O que faz deste um elemento organizacional cada vez mais popular é mesmo as infinitas opções que ele pode ter e que se adaptam mais e melhor às necessidades de cada um e de acordo com cada personalidade.

Podemos tirar inspiração de muitos lados mas o sucesso de cada bullet journal depende unicamente de uma análise pessoal. O que te deves questionar primeiro é o que queres organizar no teu journal. O teu trabalho? A gestão da casa? Tudo? Numa perspetiva minimalista eu optei por juntar tudo no meu e a minha primeira tentativa não foi 100% eficaz porque escolhi um caderno quadriculado porém quando queria desenhar as minha peças [im]perfect os quadradinhos atrapalhavam um pouco pelo que juntei ao meu journal um pequeno caderno liso para dar largas à imaginação. Este Setembro resolvi iniciar um novo bullet journal e desta vez escolhi um caderno um pouco maior e com folhas lisas.
Existem alguns símbolos criados por quem idealizou o bullet journal, esses símbolos constam de um vídeo que eu já divulguei num projeto que tive há alguns anos e que podem ver aqui, eu adoptei parte desses símbolos. Depois recorri ao uso de cores para definir tarefas que correspondem às várias áreas da minha vida, por exemplo: amarelo para o blog, laranja para a [im]perfect, vermelho para os assuntos domésticos, etc. Optei por fazer planeamentos semanais sem estipular dias para isto ou para aquilo, não gosto de me impor escrever em dias que estou mais cansada por exemplo, por isso tenho uma lista de tarefas semanais e diariamente vou decidindo o que vou fazendo, o objetivo é chegar ao final da semana com tudo tratado.


Desta vez tive tempo e fiz também um calendário do ano para colocar datas importantes e eventos que me ajudam a melhorar o marketing da loja e blog ao lado do calendário tenho a minha lista de objetivos para o ano. Cada mês abro também com o calendário mensal onde assiná-lo dias em que tenho compromissos e separo uma página para os objectivos mensais. Depois coloco uma página para as tarefas semanais + uma página em branco para todo o tipo de notas que precise tirar essa semana. No final do caderno acrescentei uma rubrica chamada "ideias" onde coloco ideias que vou tendo sobre tudo e mais alguma coisa, desde ideias para posts, desenho de novo produtos, frases que me vêm à cabeça, etc.


Este é o meu método que funciona na perfeição sem me criar qualquer stress pois consigo controlar melhor os meus objetivos em todas as áreas da minha vida sem exagerar nas tarefas e sujeitar-me a ansiedades desnecessárias.
Qual o teu método? Tens um bullet journal ou manténs preferência pelas agendas pré-formatadas?

21.9.17

Querida L.

Aquele momento em que não tenho certeza nenhuma do que estou a fazer mas continuo porque parar é consentir e consentir é ver-te morrer cada dia um bocadinho.

Minha querida L., não és uma criança fácil de educar, és volátil, influenciável, uma vitima fácil daqueles que te querem manipular e magoar. Talvez seja demasiado firme contigo mas não te quero ver fugir, não te quero perder para aqueles que não te merecem. És a melhor amiga do teu amigo mas não entendes que há limites e os amigos que não se respeitam mutuamente não são amigos são impostores. Às vezes custa falar assim de uma outra criança mas as deficiências afetivas, emocionais e sociais destronam a inocência de quem ainda não tem idade para se autocorrigir e emendar. Há tanta falta de direção, de sentido, de regras e fronteiras que é desde pequeno que se ignora o que é o respeito, o limite entre a tua e a minha liberdade.

Queria que me ouvisses, que entendesses o que eu digo, pareço lutar contra um enorme batalhão de falta de bom senso onde tudo parece errado, vejo-me a lidar contigo, uma criança de 5 anos a viver uma pré-adolescência. Serei sempre aquela que te diz "não", que te condiciona, que te limita, mas também serei a única que te amará incondicionalmente e escutará, se ao menos tu quisesses falar...

Estarei sempre aqui para ti... Não te deixes magoar ♥

20.9.17

de ♥ [quase] perfeita ♥ cantinho de leitura


Este ano, mais ainda que o ano passado, na escola da L. estão a insistir bastante com a leitura. Eu acho bem mas também acho que a leitura deve ser um prazer e não algo impingido porque quanto mais se força mais vontade dá de não se fazer. Dizia a professora que os miúdos tinham de ler todos os dias porém, se a L. ainda não lê sozinha e acha um tanto chato e demorado juntar letra a letra num esforço cansativo para uma cabeça relaxada, quanto mais para uma cabeça cansada de fim do dia. Eu questionei como é que queriam que eu obrigasse uma criança cansada a ler quando na minha opinião a leitura não deve ser uma obrigação e sim um prazer. A resposta veio muito de encontro aquilo que eu já imaginava e conclui que nada do que os professores ingleses dizem deve ser levado inteiramente à letra. O melhor é seguir o próprio instinto.

Se os livros fizerem parte de todas as etapas da nossa vida, se fizerem parte do quotidiano familiar, das prateleiras de casa, das prendas de anos e de Natal, se as idas às livrarias forem comuns, se as visitas às bibliotecas forem periódicas, mais cedo ou mais tarde o gosto pela leitura aparece e não apenas o gosto pelo consumo de livros, numa leitura febril de quantidade sem qualquer entendimento do conteúdo lido.
Para estimular o interesse tanto da L. como da C. para os livros decidi criar um canto da leitura na sala de estar, mesmo elas já tendo um no quarto delas. 
 

Há algum tempo que ando a evitar brinquedos na sala, se querem brincar brincam no quarto delas, a única coisa que podem trazer para baixo é um ou outro livro. Desta vez decidi ir mais longe e criar mesmo este canto da leitura que adoraram e não o largam, eu própria tento lá passar um bocadinho do meu dia a ler-lhes e a questioná-las sobre as estórias.

O canto que criei não teve grande investimento, coloquei um candeeiro que já tinha e estava a ser subaproveitado, duas almofadas que também já tinha no chão, plantas que dão sempre um ambiente acolhedor e um cesto para colocar os livros, a única coisa que adquiri propositadamente foram as duas almofadas para as costas. Na verdade um espaço para as crianças lerem não precisa ter muito mais que boa iluminação, se acolhedor, divertido e prático. No entanto, na minha pequena pesquisa em busca de inspiração para o nosso cantinho, encontrei espaços que farão qualquer criança sonhar. Deixo aqui alguns que talvez te inspire também a fazer um cantinho da leitura.
 


 
  
 

16.9.17

momentos [quase] perfeitos


Os lugares que mais deixam saudade são aqueles nos quais depositamos à partida menos expectativas. Foi assim com o parque de campismo Three Cliffs Bay, onde passámos os nossos cinco dias em Gales. Vistas deslumbrantes, casas-de-banho impecáveis e pessoal sempre pronto a ajudar e a brindar-nos com um sorriso. Há lugares dos quais não saímos sem prometer voltar. 





14.9.17

o poder do livro [imperfeições alheias]

Os livros lembram-me os unicórnios do universo mágico das estórias sobre princesas, sonhos, aventuras e finais felizes...ou nem sempre.
Desde pequena que convivi com livros e fui aprendendo através de milhares de palavras como crescer pode e deve ser uma sucessão de eventos libertadores, de sonhos concretizáveis, de amizades duradouras, de aventuras solidárias e até de alguns tropeções necessários à aprendizagem que é viver.
Um livro tem um poder inigualável que nenhum computador ou jogo de vídeo pode substituir como actualmente se tem vindo a tornar hábito entre os mais jovens. As gerações nascidas pós sec.XXI têm sido destituídas da magia que é folhear livros, e não falo de manuais escolares ou livros técnicos mas de livros que ensinam a ser-se humano, que obrigam a reflectir, a questionar, a indagar os porquês que a vida vai colocando.
Em miuda cresci ao sabor de aventuras intrépidas onde raparigas se tornavam donas do seu nariz, onde animais falavam e travavam amizade com seus amigos humanos, onde as amizades eram leais e as florestas ganhavam vida; cresci a aprender truques de magia e a aperfeiçoar a bondade no coração, aprendi também a ter cuidados quando os maus espreitam e a perceber que a perfeição não existe mas cada um de nós pode evoluir por caminhos coloridos onde todos merecem redenção.
Lembro-me de ter amigos imaginários, de juntar os meus peluches e dar-lhes aulas como se me entendessem e passar momentos feliz com tanto sonho a formar-se na mente. Porque hoje creio que a maioria das crianças não sabe ouvir a sua voz interior, não conhece a magia das folhas escritas há séculos por homens e mulheres que ousaram sonhar e construir mundos em palavras sem igual.
Estamos numa era onde a tecnologia vem matando as letras, onde o progresso tem atropelado o sonho e onde o homem se distancia das suas raizes ancestrais e tem medo de sonhar, de imaginar, de criar um mundo novamente seguro, cheio de cor e amizade, um universo mais amável e capaz de união entre povos. É mais facil não ler do que pensar fora da zona de conforto, é mais simples comprar um jogo ou um telemóvel do que responder a perguntas dos filhos leitores que de repente se veêm a questionar escolhas, caminhos, valores...
Por que acham que a política e a religião não gostam de livros e os queimaram durante séculos obscuros? Por que creem que as mulheres eram aconselhadas a bordar e não deveriam interessar-se pelas palavras? As sociedades sempre souberam o poder que alberga um livro, aqueles que o escrevem e os demais que o lêem e por isso sempre quiseram silenciar esse poder: o poder de sonhar e transformar o mundo.
E hoje, mais que nunca, precisamos voltar a sonhar e a escrever, a comprar e oferecer livros, a aumentar os desejos de construir um mundo melhor e darmos às crianças o papel fundamental.


5.9.17

da maçã à árvore

Não me lembro se sempre fui uma pessoa positiva ou não. Quando retorno ao passado lembro-me vagamente de uma pessoa insegura e, embora positiva, com muito pouca fé em si própria. Mas não fui sempre assim, quando tinha a idade das minhas filhas era talvez muito mais do que sou hoje, não sei em que altura me perdi de mim mas as circunstâncias da vida fizeram-me ser ou achar que devia ser uma outra pessoa qualquer. 
Hoje olho para as minhas filhas, confiantes, cheias de positividade e fé nelas, e dou por mim a querer protege-las das pessoas infelizes, daquelas que no mais negro da sua alma matam-nos os sonhos com palavras cruéis de escárnio e veneno. 
Não quero que estes meus seres cheios de vida e autoconfiança se percam nos caminhos tortuosos da adolescência, não quero que sucumbam aos podres de espírito e sim que lhes mostrem que toda a escuridão tem uma luz.

Eu sou uma pessoa positiva mas eu não acreditei que daquelas pequenas sementes que ambas encontraram nos caroços das respetivas maçãs fosse nascer qualquer tipo de vida. Fiz-lhes a vontade porque não devemos matar os sonhos daqueles que se atrevem a sonhar. Dei um pequeno vaso a cada uma, alguma terra e esperei que elas cuidadosamente plantassem as suas sementes. A vida tem força, a fé tem poder. Elas acreditaram na vida e tiveram fé no seu pequeno sonho. Duas macieiras brotaram e irão crescer com as minhas filhas lembrando-lhes que na vida basta acreditar.

2.9.17

momentos [quase] perfeitos




Em agosto as baterias recarregaram-se assim...
Por entre semanas difíceis de desespero e muita frustração apareciam os raios de luz dos fins-de-semana que me recordavam o quanto a vida é perfeita na sua teia cheia de imperfeições.

Por entre brincadeiras, gargalhadas, poses para a fotografia, cheiro a mar, paisagens restauradoras de alma, fui recriando a fé em mim, na minha força e persistência... Nesta teimosia que tenho dentro e que me faz continuar, quando a minha fonte de inspiração e motivação estão, afinal, no pulsar dos corações que em todos os finais de dia me abraçam e me segredam [no matter what] - I love you mommy
 




9.8.17

Querida L.

Há dias que questiono tudo na tentativa vã de prever o teu futuro. Pergunto-me se o ensino inglês é o adequado para ti? Se este tipo de ensino de competição te ajudará a ser criança.
A sensação que tenho é que te dedicas apenas ao que queres com o intuito de ganhar e não com o objetivo no prazer que isso te possa trazer. Estudar deve ser algo intuitivo, prazeroso e desafiante mas não um jogo de vencedores e vencidos, como esta selva em que vivemos. Talvez te estejam a preparar para a realidade do mundo mas se por um lado te querem uma vencedora, uma competidora, por outro lado querem igualmente fomentar a tua imaginação e opinião crítiva. Se virmos isto numa perspetiva adulta encontro todas as vantagens do mundo em seres uma líder cheia de imaginação e sentido critico mas se me coloco no teu lugar percebo no quanto confusa pode estar a tua cabeça, a tua identidade, e o quanto frustrante se pode tornar tanta exigência e necessidade de ser a melhor em todas as áreas da vida.

Na semana passada inscrevi-te no desafio de leitura a decorrer entre bibliotecas e escolas. Enchem-vos de tarefas para fazerem nas férias quando as férias já têm a sua própria forma de passar o tempo: aliviar o stress, fugir à rotina, brincar de manhã à noite, passar tempo com a família, ser apenas criança. Porquê esta necessidade de "obrigar" a ler, a construir frases, a somar, a desempenhar tarefas e a robotizar as crianças numa direção castradora, quando em cada brincadeira criada com somas e multiplicações intuitivas, com estórias imaginadas, letras soletradas e palavras inventadas se aprende tão mais?

Queres ganhar a medalha da leitura sem teres o chato trabalho de juntar letras na lenta leitura que te desespera. Nada se consegue sem trabalho, sem esforço e sem dedicação e é para mim, minha querida filha, o fundamento deste desafio. Não irei entregar livros que fingiste ler até perfazeres a quota de livros que te oferecerá prémios e medalhas, não te ensinarei que a mentir e a aldrabar se consegue chegar onde se quer, não contribuirei para uma falsa educação porque acima de qualquer desafio, leitura ou tabuada, existe a educação dos valores essenciais que nos distingue como pessoas, e desses não abro mão.

Se eu te conseguisse fazer entender a essência de um livro, o quanto se pode viajar entre palavras e a quantidade de prémios que podemos colecionar ao fomentarmos a curiosidade através da leitura. Se tu entendesses que esta é a pior fase mas que quanto mais praticares mais depressa descobrirás os sons por trás das letras...
Minha querida L. como gostaria que não te perdesses pelos caminhos tortuosos da vida. A inteligência não está no comprimento do cabelo cortado à Rapunzel e que não a impediu de continuar a ser curiosa e intuitiva. Nem no sapato de cristal que depois de quebrado não azedou a doçura da Cinderela. Não importa o castelo onde se viva pois a Bela apaixonou-se pela biblioteca de um Monstro de qualquer maneira. Não é uma medalha que te dá virtude e sim a tua atitude. Não deixes de ser tu para ser ninguém pois ninguém é melhor que tu na tua essência. Usa a curiosidade que te caracteriza para ganhar as medalhas e não te deixes julgar pelas que brilham sem mérito e esforço.

Não é por não te fazer a vida fácil que te amo menos e sei que um dia me entenderás e concordarás comigo.

A tua mãe ♥

4.7.17

agora somos sete


Fez este sábado uma semana que trouxemos para casa o Rosso (leia-se com pronuncia inglesa). Não foi uma decisão leviana nem excessivamente pensada porque, nestas coisas, se não ouvimos o coração, nunca fazemos nada.
Decidimos que a L. já tinha idade e maturidade suficiente para receber um amigo de quatro patas a seu cargo. Tem apenas 5 anos mas é uma criança bastante responsável e segura e embora precise obviamente da nossa atenção para o cuidar, tanto ela como a irmã se esforçam para que não lhe falte comida, mimo, brincadeira e o pelo escovado. Nem sempre entendem muito bem que ele precisa do seu próprio tempo e que muitas vezes não está para fazer o que elas lhe exigem como por exemplo ficar no colo a ver um filme, mas o facto de ele se impor e de eu explicar que ninguém gosta de ser mandado, que temos de respeitar as vontades alheias, tem feito a L., que em casa gosta de exercer o seu instinto de mandona, pensar duas vezes antes de impor as suas vontades.

O Rosso é um gatinho de cerca de 3 meses e meio. Fomos buscá-lo à RSPCA uma semana depois de o termos ido conhecer. Na nossa primeira visita à associação foi difícil passar por gatos carentes, que sei que dificilmente serão adotados, e não levar nenhum. As instalações têm excelentes condições, nos corredores das boxes cruzámo-nos com voluntárias que, sentadas junto a uma e outra box, enchiam este e aquele gato de mimo, esse era o trabalho delas, mimar os gatos. Nessa troca de carinhos eu fiquei na dúvida quem estaria a fazer um favor a quem, parar alguns minutos nos dias extasiantes que sempre temos para acariciar o pêlo de um animal é um verdadeiro momento de relaxamento e meditação. Fomos conduzidos até uma box onde pequenos gatinhos corriam e brincavam animadamente. Dos cinco que tinham sido deixados numa caixa apenas restavam dois para adoção. A escolha não foi difícil, um deles estava deitado e mal se mexeu durante todo o tempo que estivemos dentro da box, recebeu os mimos que lhe fomos dando de forma lânguida e destemida. O outro foi difícil de apanhar, escondeu-se numa alcofinha, depois atrás deste e daquele objeto numa tentativa de ver sem ser visto. Fui a única que o conseguiu agarrar e de fugida afagar-lhe o pelo. Era este, este seria o companheiro certo para as nossas princesas e o amigo ideal para os nossos já idosos gatinhos. O Rosso ficou à nossa espera uma semana. Entretanto foi castrado, vacinado e desparasitado. Uma voluntária da associação veio conhecer a sua futura casa e só então tivemos luz verde para o ir buscar. 

Uma semana depois Rosso está completamente adaptado à sua nova vida, brinca alegremente, come feito louco e ainda desafia os seus amigos peludos que já mal têm energia para o acompanhar mas não negam uma boa brincadeira.

Agora somos sete, como as sete cores do arco-íris, como os sete anões, como os sete pecados capitais, como as sete maravilhas do mundo ou como os sete magníficos. Somos sete, "três mulheres de personalidade, um homem de fibra, dois gatos preguiçosos e um gatinho brincalhão. Todos temos as nossas imperfeições e todos convivemos com elas". ♥

2.6.17

diário de uma vida [quase] saudável ♥ gelados


Semana em casa com as miúdas é tudo menos saudável. Não quero parecer uma mãe desnaturada mas na verdade as minhas piolhas sugam-me as energias e fazem-me sentir uma ser sem vontades ou necessidades. Só elas precisam de comer, de ir à casa-de-banho, de comer outra vez, foi uma semana a cumprir "ordens", quase pareceu que por momentos respondia a um qualquer patrão ingrato de uma exigente empresa multinacional (porque para ajudar ainda tenho de perceber português, inglês e "bebeglês"). Quando estou stressada, porque a juntar a estes chefes exigentes que tenho em casa ainda me tenho a mim como chefe, o que é uma verdadeira exaustão, como toda a porcaria que me chega aos olhos ou à memória. Torna-se impossível para mim ser racional a comer e pronto... cá vai disto... como se não bastasse, semana sem escola é semana sem caminhadas. Não, a coisa não está bonita mas pior vai ficar nas férias grandes... vou ter de arranjar uma estratégia qualquer para minimizar o impacto da falta de rotina.

Não tendo sido uma semana em nada saudável, comecei a preparar o mês de "muito medo" que chegará no final do ano escolar delas. Começar pelos gelados achei a melhor opção e fui então em busca de opções de gelados saudáveis que possa comer com elas sem inchar como um balão mas atenção, tudo deve ser comido com moderação e para quem esteja a querer perder peso, nem os gelados saudáveis lhe vale. Deixo-vos aqui alguns dos que encontrei: que o vosso Verão seja quente por fora e fresquinho por dentro.

Esta semana acabei por fazer o de coco, era simples e tinha todos os ingredientes em casa. E vocês? Têm algum preferido? Conhecem alguma receita que queiram partilhar?

Que o vosso Verão seja quente por fora e fresquinho por dentro. Bom apetite! ♥

30.5.17

uma questão de equilíbrio

Esta semana as crianças estão por casa e o tempo terá de ser canalizado para o essencial. Tenho encomendas da [im]perfect para fazer e por isso será essa a minha prioridade durante toda a semana que já será preenchida com muitas interrupções por ter de ser mais mãe e menos mulher de negócios.

Aqui no blogue as coisas não serão diferentes. Irei publicar alguns posts, os essenciais mas não conseguirei fazer publicações diárias como de costume e por isso peço desde já as minhas desculpas. Será só uma semana que passará a correr e logo logo estarei de volta ao ritmo habitual.

Para acompanhar a maré de stress, estou de novo sem telemóvel e sem grande tempo ou disponibilidade para tentar resolver o problema. Portanto o meu acesso à internet ficou muito mais condicionado e sem grande hipótese de actualizar o Instagram como gosto de fazer, com imagens da vida, do dia-a-dia. 

Farei o possível para não desaparecer totalmente mas será sempre uma questão de equilíbrio, tanto emocional, como temporal ou racional. Tenham uma excelente semana e nunca se deixem abater pelas dificuldades. ♥